setembro 06, 2005

Teoria e Prática

Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em prática, e toda a prática deve obedecer a uma teoria. Só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando a que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria. Quem não sabe nada dum assunto, e consegue alguma coisa nele por sorte ou acaso, chama «teórico» a quem sabe mais, e, por igual acaso, consegue menos. Quem sabe, mas não sabe aplicar - isto é, quem afinal não sabe, porque não saber aplicar é uma maneira de não saber -, tem rancor a quem aplica por instinto, isto é, sem saber que realmente sabe. Mas, em ambos os casos, para o homem são de espírito e equilibrado de inteligência, há uma separação abusiva. Na vida superior a teoria e a prática completam-se. Foram feitas uma para a outra.

Fernando Pessoa, in 'Palavras iniciais da Revista de Comércio e Contabilidade'

Publicado por pns em setembro 6, 2005 09:00 AM
Comentários

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:27 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:28 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:28 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:28 PM

Como se aplica bem o que disse Pessoa aos nossos políticos de hoje que para tudo têm soluções rápidas no papel, soluções que do papel não passam, sem acção que as concretize. O que nos vale é o vento, que continua a enfunar a vela que lá vai movendo esta jangada de pedra.

Afixado por: Carlos em setembro 6, 2005 06:28 PM

Deveras. Aí está o grande problema do aprendizado teórico.Muitas vezes não sabemos o que fazer com estas fontes já pensadas,aí retoma um outro ponto de esclarecimento que é o seu correto uso...pouquíssimas pessoas hoje saberiam usar corretamente as teorias tal qual fora pensada por um outro(poderiam até interpretar de maneira parecida,ams não símile).
Mas há outras questão primordiais da limitação da teoria:é o que o próprio nome diz:ela nos limita bem mais à cópia que ao raciocínio constante,neste caso, a prática pode ter maior impacto sobre a causa que propriamente a teoria,todavia devemos nos pautar no mínimo de aprendizad teórico para ao menos criar novas hipóteses na prática e talvez virar dela teoria.

Afixado por: Phil em setembro 9, 2005 12:16 PM

Um comentário longo , aborrecido....


Não está correcto, isto é: a teoria, não se destina sempre à prática!!!!!!!!!!!!!


- Por exemplo, Heidegger fazia distinção entre ciência e técnica ( o que não vou resumir, vou antes estudar melhor esta parte que me interessa saber ).-
Tendo em mente que existe uma "teoria" ou modelo teórico explicativo, chamado o próprio" edifício da ciência ": existem "modelos teóricos" que não se destinam à prática: servem para explicar um outro tipo de realidade: das ciências sociais e humanas,que não é passível de experimentação.-Piaget está em vistas de ser considerado o "maior filósofo do século XX":
E, cá está : um "modelo teórico" por excelência que não se destina à prática, mas à compreensão de uma realidade muito complexa.
Dizia Piaget que não existe conhecimento sem sujeito; que o conhecimento é uma construção do sujeito.
- A "ciência"( exacta ), por aquilo que é sobretudo: observação, raciocínio intuitivo (?), está voltada para o conhecimento do Universo físico ( A Physis, dos gregos, o " Logos ", esta última palavra mais controversa ), mas, o sujeito, não deixa de introduzir elementos subjectivos no conhecimento.
Feita de acumulação de saber;ou de "revoluções "
,diz-se que a ciência prova aquilo "que não é", não afasta as hipóteses do que pode ser; está sempre em aberto, sem dogmatismos.

Claro que é indubitável que seja preciso mais que simples observação para conhecer a realidade dos factos, mesmo dos factos físicos mais simples e observáveis. Assim, sei que afinal, experimentar que é a Terra que gira em torno do sol era tão simples como observar a sombra de uma estaca em diferentes partes e em horas diferentes- isto muito antes de Galileu.- Não era preciso tanta controvérsia !....(?)
Mas, claro que o raciocínio intuitivo: as capacidades de racíocínio do " cientista" são o próprio instrumento da ciência: não são própriamente "prática": se fossem só "prática", aliás, não existia ciência: porque uma pedra era sempre uma pedra.
Uma parte do pensamento de Da Vinci é mesmo muito avançada, a isto nem alguns " cientistas" actuais chegam por eles próprios, nem à capacidade intelectual de "cientistas" antigos, como por exemplo Al Biruni- Séc. X- XI:

Citação de Da Vinci:

« Eu Leonardo...

...um dia hei-de conhecer todas as artes que abrem ao homem os caminhos dos grandes segredos do Universo.

...quem espera da experiência o que ela não possuí diz adeus à Natureza e à Razão.

...na Natureza, não há efeito sem causa; compreende a causa e só terás que fazer a experiência.

... a ciência é o capitão e a prática é o soldado.»

Afixado por: Sandra Gomes em setembro 11, 2005 08:39 PM

Deveras curioso,Sandra. Gostei da sua explanação...Hegel também fala disto,por outro meios...todavia considero o tema por demais polêmico e,sendo assim, mesmo com a afirmação de tais "catedráticos",não teria condições de afirmar por inteiro que isto é verdadeiro ou não...são hipóteses de formulação,estudos controversos em um assunto de muitas cabeças(literalmente).

Afixado por: Phil em setembro 12, 2005 02:46 AM

Novo comentário ,


.....Hegel e a Ideia... Marx e a Praxis...
Engraçado :saber que Marx pertenceu à juventude hegeliana...
A Ideia e realidade em Hegel: quase não se diferenciam: " Todo o racional é real,e tudo o que é real é racional."

Resumidamente:

" Marx terá criticado a "evidência" da identidade entre o sujeito e o objecto proclamada por Hegel, e a sua mensagem terá operado o que Gaston Bachelar considerou ser uma ultrapassagem dos obstáculos epistemológicos que condicionam a aquisição do conhecimento científico:« O conhecimento do real é uma luz que sempre projecta algumas sombras. Nunca é imediato e pleno. As revelações do real são sempre recorrentes. O real nunca é «aquilo que se poderia crer» mas é sempre aquilo que se deveria ter pensado.(...)Com efeito, nós conhecemos contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal feitos, ultrapassando aquilo que, no próprio espírito, constituí um obstáculo à espiritualização.»

( Resumo que fiz de um Professor,António Pedro Ribeiro dos Santos, portanto, é de facto complexo mas, Piaget ajudou bastante nesta questão ? )

Afixado por: Sandra Gomes em setembro 23, 2005 01:47 AM

Ainda uma observação:

Este meu Professor catedrático, sabia procurar o fundo das questões.....

Afixado por: Sandra Gomes em setembro 23, 2005 01:51 AM

Mais um comentário curto( as citações é que não ):

Mais importante no contexto do texto e "típico" de Fernando Pessoa (!!!!!????????): em Fernando Pessoa é difícil ter a certeza sobre o que ele pensa, muito mais quando é crítica social; é um " blagueur "!!!!!!!?????????

E, "fugindo" à questão, para os espirítos mais práticos, vou fazer mais duas citações:

« Nenhuma tentativa teórica se engedra de um vazio inicial.É sempre num campo cultural já duramente trabalhado que um pensamento se torna possível. No entanto, o esquema consagrado da continuidade na descontinuidade, de descontinuidade na continuidade, por saltos qualitativos que não alteram a permanêcia itenerante do mesmo, tal esquema revela-se hoje inadequado e conformista no propósito de ocultar a diferença onde a novidade se inscreve.»

( Introdução a um pensamento cruel: as estruturas, estruturalidade e estruturalismos,Eduardo Prado Coelho in ESTRUTURALISMO, Antologia de textos teóricos )

Max Weber,"Sobre a Teoria das Ciências Sociais" ( é esta a obra citada por Eduardo Prado Coelho (?) / Tipo Ideal :

« ... se não há essência objectiva, deixa de haver estrela e direcção, assim como limites nas coisas, para a orientação da conceptualização empírica, para a separação do racional e do irracional, do inteligível e do ininteligível, o que é justo exigir do mundo e do homem em qualquer exame do mundo. Naturalmente resulta daí que a ciência no sentido de empíria sem limites de casos singulares que o espírito esclarece, ora por meio do tipo ideal, ora arbitráriamente ( sem receber a claridade das próprias coisas ), por um lado, e a atitude perante a vida por impulsões irracionais e cegas, por outro lado, deixam de poder convergir. A consequência lógica é uma oscilação e uma hesitação permanentes da alma entre a prostração empírica perante a realidade histórica acidental e a utopia sem barreiras que com base nesta sua «esperança» apocalíptica muito pessoal, despreza a realidade à qual anteriormente se submetera passivamente na qualidade de especialista.»

Finalmente, a conclusão: Parece mesmo "complicado"!......

Afixado por: Sandra Gomes em setembro 23, 2005 01:33 PM

E, finalmente, uma crítica, no contexto do primeiro comentário: Os políticos parecem mesmo muito desenvoltos ao apontarem soluções rápidas para tudo, soluções que tristemente variam tanto como a profissão dos mesmos ou os "ideiais", ou falta deles, dos mesmos. E, como nunca são os mesmos, um faz, outro desfaz mas, uma consciência colectiva comum de prosseguir algo é que é mais difícil de se achar. Portanto a política parece ser mesmo uma "profissão" e o barco balança, conforme a mentalidade de cada um que chega ao "gozo" do poder, porque "quem pode", em Portugal,manda mesmo. E acho que por isso é que gosto Inglaterra.

Afixado por: Sandra Gomes em setembro 23, 2005 01:42 PM

Cara Sandra,

Novamente ,repito, ser muito relevantes todas as suas colocações,algumas chegando a ponto de se excederem ao que foi proposto inicialmente por Fernando Pessoa,uma pessoa não exata,por decerto,uma vez que seus trabalhos todos mostram,com coerência, a genialidade do ser, que com isso procura trabalha as várias formas de se ser,as várias características pecualiares a que seus heterônimos dizem,segundo a percepção de Pessoa...confesso ser difícil realmente achar quando o homem Fernando Pessoa fala algo por ele e quando os personagens de Pessoa falam,muitos deles se contradizendo imensamente...mas Pessoa de tão curioso chega a ser enigmático(e brilhante) mesmo....sem dúvida muito mais que um gênio...
Mas vejo que em todos os seguidos comentários, uma colocação crítica muito ampla foi estabelecido, de modo rápido...se quiser tratá-la com especificidade suas discussões(onde vejo por parte de você bastante interesse),convoco-a ao meu e-mail.

Afixado por: Phil em setembro 27, 2005 04:14 PM
Site Meter