As paixões diminuem com a idade. O amor, que não deve ser classificado entre as paixões, diminui da mesma maneira. O que perde por um lado recupera por outro. Já não é severo para o objecto dos seus desejos, fazendo justiça a si mesmo: a expansão é aceite. Os sentidos já não possuem o seu aguilhão para excitar os sexos da carne. O amor pela humanidade começa. Nesses dias em que o homem sente que se torna um altar ornado pelas suas virtudes, feitas as contas de cada dor que se revelou, a alma, num recôndito do coração onde tudo parece ter origem, sente qualquer coisa que já não palpita. Referi-me à recordação.
Isidore de Lautréamont, in 'Cantos de Maldoror'
Publicado por pns em setembro 4, 2005 08:00 PMUm juiz, ou um gerente de banco, lendo as "alegações" acima, considerariam um tanto vagas a exposição do autor. E o amor entre homem e mulher é, quase sempre, paixão. De qualquer forma, extrai-se do conjunto a idéia, verdadeira, de que a idade vai alterando o nosso modo de ver o mundo. A própria diminuição do vigor físico ( e dos hormônios)enfraquec,digamo,"eletricidade do afeto", restando, em seu lugar, um outro tipo de amor, mais elevado: a preocupação com o bem estar, presente e futuro, das pessoas amadas. O egoísmo tende a transformar-se em altruísmo. O prazer de fazer o bem antes do mergulho no desconhecido.
Afixado por: F. C. Pinheiro Rodrigues em setembro 5, 2005 10:49 PMExato. Depois da nossa fase utópica(a da vivência com os pais e depois a da inserção na sociedade),vem a fase do medo e da angústia,quando ficamos ciente da realidade.Degenera-se tudo..mas daí,depois emerge um outro senso que é aquele:"bem,nem tudo é assim" e renasce um filósofo/uma filosofia na alma de cada homem.Daí ele luta meio que cientena sua realidade,por vezes decaindo na zona da desistência e por vezes pulando para a zona da utopia.O ser humano vai e vem de maneira muito rápida equilibrando o ser dififícil que é. Daí talvez surja a humanidade e o amor conforme o autor citou(e ele existe).
Afixado por: Phil em setembro 9, 2005 01:18 AM...E, nem sempre sequer começa; ou antes, por vezes não existe...
Um aparte/divagação( sem ofensa ):
(...Quando vou passear a minha cadela, vejo que engraçadamente, tem muito interesse por outros cães....)
E penso se:
Como é com os seres humanos?.......:
Depois, lembro-me: deve ser um atributo da
própria pessoa: assim, um relatório de psicologia tinha escrito:" normal investimento na relação interpessoal ainda que vivenciado de modo marcadamente insatisfatório."
Portanto, é um aspecto da própria personalidade de cada um.
Aristóteles foca de certo modo o assunto na citação sobre amizade.
Em Cristo, altruista, o amor pela humanidade devia ser enorme....
É um assunto muito pessoal, faz parte da pessoa, não gosto muito das generalizações, acho eu ...
...E, nem sempre sequer começa; ou antes, por vezes não existe...
Um aparte/divagação( sem ofensa ):
(...Quando vou passear a minha cadela, vejo que engraçadamente, tem muito interesse por outros cães....)
E penso se:
Como é com os seres humanos?.......:
Depois, lembro-me: deve ser um atributo da
própria pessoa: assim, um relatório de psicologia tinha escrito:" normal investimento na relação interpessoal ainda que vivenciado de modo marcadamente insatisfatório."
Portanto, é um aspecto da própria personalidade de cada um.
Aristóteles foca de certo modo o assunto na citação sobre amizade.
Em Cristo, altruista, o amor pela humanidade devia ser enorme....
É um assunto muito pessoal, faz parte da pessoa, não gosto muito das generalizações, acho eu ...
...Quando se diz que" o amor é necessário": é mesmo.
Assim, uma colega contou-me que no período nazi foram feitas experiências com bébés. Os bébés alvo da experiência tinham o que necessitavam, comida etc. excepto relações de afecto e sucedia que morriam...
Cara Sandra,
Você põe o amor como questão particular e não coletiva...certamente não há como comprovar,aliás estaremos sempre de um lado a olhar o "outro",mas creio que pode ser mais que particular,mas cultural também. Vejamos um caso clássico li outrora em um livro e andei a pesquisar sobre: Como chamar de amor o ato dos esquimós em conduzir seus velhos pais para as planícies geladas para serem devorados pelos ursos? Assim fazendo, acreditavam que os pais seriam reincorporados na tribo quando o urso fosse abatido e devorado pela comunidade..crueldade? amor social num sentido mais amplo e não particular da convivência familiar? Não...é uma cultura distinta da nossa cultura.
Então, a nossa cultura embasada na individualidade cria este amor hipotético e individual que no fundo pode ser aderido por todos.
Quanto aos casos dos bebos sem relações de afeto que morriam,achei deveras estranho... Creio que estariam eles sem cuidados e não sem afeto,uma vez que se assim for grande parte das crianças do mundo já estariam mortas(principalmente aquelas em que os pais batem ou simplesmente esquecem de sua existência afetiva,contando apenas para a alimentação e vestuário,onde o resto vira trabalho físico...