setembro 22, 2005

Trabalho e Descanso na Justa Medida

A mente não se deve manter sempre na mesma intenção ou tensão, antes deve dar-se também à diversão. Sócrates não se envergonhava de brincar com as crianças, Catão aliviava com vinho o seu ânimo fatigado dos cuidados públicos e Cipião dançava com aquele corpo triunfante e militar (...) O nosso espírito deve relaxar: ficará melhor e mais apto após um descanso. Tal como não devemos forçar um terreno agrícola fértil com uma produtividade ininterrupta que depressa o esgotaria, também o esforço constante esvaziará o nosso vigor mental, enquanto um curto período de repouso restaurará o nosso poder. O esforço continuado leva a um tipo de torpor mental e letargia. Nem os desejos dos homens devem encaminhar-se tão depressa nesta direcção se o desporto e o jogo os envolvem numa espécie de prazer natural; embora uma repetida prática destrua toda a gravidade e força do nosso espírito. Afinal, o sono também é essencial para nos restaurar, mas se o prolongássemos constantemente, dia e noite, seria a morte.

Séneca, in 'Da Brevidade da Vida'

Publicado por pns em setembro 22, 2005 10:40 PM
Comentários

Estou de acordo com o texto.Acontece porém,que a
humanidade de há muito,quebra os limites e sofre
as consequëncias.

Afixado por: waldeci em setembro 26, 2005 04:54 AM

Exato waldeci...acreditando ainda numa espécie de novo humanismo,o ser humano vai se vendo como poderoso de tudo e sem limitação...mas como todo ser vivo,sempre tem lá seus pontos fracos,suas limitações que de certa forma,como disse muito bem Sêneca, se não existisse,poderia rapidamente trazer a nós o critério da alienação e todo o ideal da produção do trabalho e do prazer sustentado nele perderia sua força(testemunhamos isso muito bem no sistema de reprodutibilidade técnica ao qual fomos inseridos nas típicas produções do século XX).

Afixado por: Phil em outubro 2, 2005 11:31 PM
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