Um estranho paradoxo: as pessoas, quando agem, têm em mente o interesse privado mais mesquinho, mas ao mesmo tempo, no seu comportamento, são mais do que nunca determinadas pelo instinto das massas. E mais do que nunca, o instinto das massas tornou-se errado. O obscuro instinto do animal - como inúmeros episódios o comprovam - encontra a saída para o perigo iminente mas ainda invisível. Em contrapartida, esta sociedade, onde cada um tem apenas em vista o seu próprio interesse mesquinho, sucumbe como uma massa cega, com estupidez animal mas sem a estúpida sabedoria dos animais, a todo o perigo, ainda que muito próximo, e a diversidade dos objectivos torna-se insignificante, ante a identidade das forças determinantes.
Muitas vezes se tem demonstrado que é tão rígida a sua fixação à vida habitual, mas de há muito perdida, que acaba por não se verificar a aplicação efectivamente humana do intelecto, a previdência, até mesmo ante o perigo iminente. Assim a imagem da estupidez completa-se nela: insegurança, ou mesmo perversão dos instintos vitais, e desfalecimento ou até decadência do intelecto.
Walter Benjamin, in 'Rua de Sentido Único'
Publicado por pns em outubro 10, 2005 09:00 AM...os pessimistas estimam que o proprio ser humano vai chegar a um estagio que se auto-destruirá. Talvez estes sejam os sinais...
significativamente chocante para seres que que se autodenominam "inteligentes".
Sem dúvida alguma é um problema a que os séculos modernos estão vivendo...um problema crônico,uma vez que é mental e menos focado em objetos...algo certamente no ser humano se deteriora,seja esta a aura chamada por Benjamin ou o espírito ao qual Kindengard chama...é uma decadência de valores e do homem...espero que tdo isso,construído lenta e gradualmente não caminhe para o espaço da auto-destruição,conforme franciele rementeu...o homem com a ciência em mãos está perdido...ou querendo se perder...isso não sei...
Afixado por: Phil em outubro 13, 2005 01:53 AM