A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; incite-o o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças; não aproveite para mostrar a sua força a fraqueza dos outros; o bom lutador deseja que o combatam mais rijos lutadores.
Será grato aos contrários, mesmo aos que veem armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também.
Agostinho da Silva, in 'Considerações e Outros Textos'
Publicado por pns em novembro 24, 2005 09:00 AMagostinho da silva, é um dos autores que devia ser dado nas aulas de filosofia no secundario... podia ser que elas finalmente servissem para alguma coisa.
"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio"
esta frase é uma verdadeira filosofia de vida e para alguns (poucos) a vida em si.
É a afirmação de que o homem pode se aperfeiçoar, sendo cada vez mais livre, ajudando outros a se libertarem, sendo solidários.
no fundo é uma forma, na minha opinião a mais correcta, de individualismo, pois é a não aceitação que ninguém tenha poder sobre ele. Nem quer ter poder sobre ninguém.
Afixado por: agitador em novembro 24, 2005 12:11 PMnegraviuva.blogspot.com
Afixado por: piti_suri em novembro 24, 2005 03:33 PMTalvez TODOS os filósofos devessem ser dados nas aulas de Filosofia, particularmente, nem uma mulher consta dos filósofos estudados. Porque, não é que estejam certos ou errados. Para que servem então ?
Para mim serviram, de certeza, mesmo sem Agostinho Silva e não é que eu não procure ler o mesmo. Afinal, somos livres e podemos ler todos os filósofos que quisermos, se acharmos poucos os que temos de estudar com obrigatoriedade. Mas, para que serve a obrigatoriedade de uma matéria filosófica ou outra. Passaríamos todos a pensar como Agostinho Silva ?
Base de toda sabedoria que todos buscamos mas dificilmente nos mantemos constantes em nossa busca. Resumo do não prazeiroso mas do estar bem.
Afixado por: Armenio em novembro 24, 2005 05:33 PMBase de toda sabedoria que todos buscamos mas dificilmente nos mantemos constantes em nossa busca. Resumo do não prazeiroso mas do estar bem.
Afixado por: Armenio em novembro 24, 2005 05:35 PMBase de toda sabedoria que todos buscamos mas dificilmente nos mantemos constantes em nossa busca. Resumo do não prazeiroso mas do estar bem.
Afixado por: Armenio em novembro 24, 2005 05:35 PMcara sara gomes,
nesse caso não se dava autor algum, pois alguns são obrigatorios...
quando falei de agostinho, não falei de toda a obra dele ou deste autor ou de qualquer outro... nada disso. apenas perspectivas deste e doutros autores sobre temas que são importantes para estruturação do pensamento livre. temas sobre liberdade, justiça, etc e tal...
o debate, a abertura a estes temas são importantissimos na estruturação da personalidade, dos valores e como os entendemos, o simples fazer pensar sobre...
caso contrario, pode ter a certeza que passaremos a pensar todos da mesma forma. alias, até certo ponto a actualidade é demonstração disso.
Afixado por: agitador em novembro 24, 2005 11:23 PMAlgumas pessoas que trabalham nos EUA, por exemplo, ao invés de dizerem que a Filosofia não serve para nada, pelo contrário, aqui em Portugal a Filosofia como disciplina de escola começa cedo, isso faz muita diferença, no sentido positivo. Porque não dar valor aquilo que temos ?
Própriamente o que os alunos deverão saber é a Filosofia em si, depois descobrir, por eles próprios, como exisrem diferenças no pensar dos filósofos, não um ou outro modo de pensar em particular...
cara sandra gomes,
eu não disse que a filosofia não serve para nada.
começa cedo e devia começar mais cedo ainda, mas por outras formas... isso é outra discussão.
e como vão conhecer as diferenças no pensar dos filosofos sem as conhecer?
a filosofia não devia ter o conteudo programatico que tem, é a minha opinião, devia ser um espaço de reflexão... há filosofos e professores de filosofia que querem mudar a forma da disciplina de filosofia.
quanto a parte de fazer a diferença, lamento dizer-lhe mas não tenho uma visão tão optimista.
Afixado por: agitador em novembro 30, 2005 09:03 PMAgostinho,a meu ver em seu pensamento, soube devidamente demonstrar um esquema básico para burlar com muitos de nossos preconceitos em relação ao outro. Sabendo-se que o ser humano em si promete muito na área individualista,Agostinho propôs pensarmos o seguinte:que exigíssemos de nós sempre a eterna renovação do nosso ser,de alguém com caráter superior.E aqui reside um grande problema:até que ponto o homem pode seguir para pôr em prática esta compreensão (que certamente tem seus limites)? Antes de mais nada,para conseguir,talvez tenhamos que anular certas vertentes próprias a nós todos.Do egoísmo e todas as práticas,basta-nos libertarmos de nós mesmos,ou seja, de tudo aquilo que temos e não queremos dispensar de ter,tal qual se forma o nosso individualismo.
Será que matematicamente poderíamos formalizar todos os atos em nossa vida? Vejo que o gênero humano necessita do ato da repressão- e eis aqui o papel do guia.Pode o homem seguir sem o seu guia,sem sua fé em algo? Se assim for,este guia,esta religião, pode lhe ensinar o bem,mas este terá que necessariamente coexistir com o mal,sem a qual aquele perderia a sua eficácia. Como compreender isto tudo? Não faço a menor idéia....
Afixado por: Phil em dezembro 2, 2005 01:49 AM