Incita esse teu amigo a animosamente não ligar importância a quem o censura por se acolher à obscuridade da vida privada, por desistir das suas grandezas, por ter preferido a tranquilidade a tudo o mais, apesar de poder ainda avançar na sua carreira. Mostra a essa gente que ele trata diariamente dos próprios interesses da forma mais útil. Aqueles que pela sua posição elevada suscitam a inveja geral nunca vivem em terreno firme: uns são derrubados, outros caem por si. Esse tipo de felicidade nunca conhece a calma, antes se excita sempre a si mesma. Desperta em cada um ideias de vários tipos, move os homens cada qual em sua direcção, lança uns numa vida de excessos, outros numa vida de luxúria, a uns enche-os de orgulho, a outros de moleza, mas a todos igualmente destrói.
Dirás tu: Há, todavia, quem aguente bem uma liberdade desse género". Pois há, assim como há quem aguente bem o vinho. Por isso não existe o mínimo fundamento para te deixares persuadir que alguém é feliz pelo facto de viver rodeado de clientes; os clientes não buscam nele senão o mesmo que buscam num lago: beber até fartar e deixar a água suja! "O vulgo julgá-lo-á um homem sem valor, sem actividade!" Bem, mas tu sabes como há pessoas que usam incorrectamente a linguagem e dizem tudo ao contrário. Anteriormente diziam-no um homem feliz. Pois bem, será que ele era mesmo feliz? Pode haver quem o julgue um homem de carácter demasiado duro e sombrio, isso não me preocupa minimamente. Diria Aríston que preferia um jovem taciturno aos jovens risonhos e bem acolhidos na sociedade. Também um vinho que a princípio parece espesso e áspero acaba por tornar-se excelente, enquanto aquele que na pipa nos parece agradável não suporta o envelhecimento.
Séneca, in 'Cartas a Lucílio'
Publicado por pns em dezembro 2, 2005 09:00 AMNão há felicidade. Há um estar mais confortável numa realidade. Há uma esperança que às vezes adormece o pânico.
Não há calma. Há uma resignação ou uma fria determinação que ao olho destreinado passam como tranquilidade. E às vezes um sorriso ansioso em vez de um grito de alarme confunde os menos avisados.
Tudo é questão de compromissos e possibilidades.
Não precisa de demonstração.
Precisa é de ser aprendido. Não se consegue viver bem com o que se não olha de frente. É a primeira condição para superar o presente e ficar-lhe um pequeno passinho à frente - justo aquele pedacinho de vida que nos dá a vantagem decisiva. Bem - não será decisiva - será a vantagem necessária para ganhar a próxima vantagem...
A água da chuva que entra pelo buraco da tenda às vezes é a água pura de que precisamos para beber...
Ás vezes penso se este filósofo seria um idealizador das coisas, um sonhador ou mesmo um realista...de fato,muitas vezes não sei discernir um sonho de uma realidade. A vida é tão inesperada,o destino tão estranho que mal sabemos o que provoca-nos realmente ou o que provocamos...
Pensemo-nos o melhor...é o que nos basta.
Da concretização deste nosso pensamento já é uma outra etapa mais complicada.