A ignorância é uma coisa vil, abjecta, indigna, servil, sujeita a inúmeras e violentíssimas paixões. Destes insuportáveis tiranos que são as paixões - e que por ora nos governam alternadamente, ora em conjunto - te libertará a sabedoria, a única liberdade autêntica. Para chegar à sabedoria, um só caminho e em linha recta; não há que errar, avança em passo firme e constante. Se queres que tudo te esteja sujeito, sujeita-te tu à razão; dirigirás muitos outros, se a ti te dirigir a razão. Ela te dirá o que deves empreender, e que maneira; assim não serás surpreendido pelos acontecimentos. Tu não podes apontar-me alguém que saiba de que modo começou a querer aquilo que quer. E porquê? Porque o comum das pessoas não é levada pela reflexão, mas arrastada por impulsos. A fortuna cai sobre nós não menos vezes do que nós caimos sobre ela. A indignidade não está em «irmos», mas em «sermos levados», em perguntarmos de súbito, surpreendidos, no meio de um turbilhão de acontecimentos: «Mas como é que eu vim parar aqui?
Séneca, in 'Cartas a Lucílio'
Publicado por pns em dezembro 11, 2005 08:00 PMGostei.
O meu abraço de amizade.
Paulo
o ser humano tem capacidades para ultrapassar a ignorância, de tentar encontar o conhecimento... mas não do todo... porque como Sócrates dizia: "só sei que nada sei"... a ignorância pode ser vil mas o homem nunca encontrará um conhecimento único e completo, digno de ser idolatrado por outros... nunca alcançará a sabedoria plena... até porque o mundo e o que daí advém está em constante mudança.
Afixado por: Sandra em dezembro 16, 2005 11:57 PM