Pensar, ainda assim, é agir. Só no devaneio absoluto, onde nada de activo intervém, onde por fim até a nossa consciência de nós mesmos se atola num lodo - só aí, nesse morno e húmido não-ser, a abdicação da acção competentemente se atinge.
Não querer compreender, não analisar... Ver-se como à natureza; olhar para as suas impressões como para um campo - a sabedoria é isto.
Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'
Publicado por pns em fevereiro 9, 2006 09:00 AM
Concordo que é preciso ter uma imensa sabedoria para olharmos para nossas próprias impressões como olhamos para um campo. Para mim, infelizmente,é uma sabedoria distante da minha "realidade",sobretudo, porque são justamentente as impressões que constituem o meu elo com o mundo, imagino que se conseguisse alcaçar essa sabedoria o mundo teria, a meus olhos, a infinidade de um campo que me traria a certeza absoluta e inegavel da plena solidão.
Concordo com o cometário da colega comentarista Viviane.Viver neste tal devaneio é fugir da realidade e como tal ficar mesmo em contato com sonhos e imaginaçÕes infinitas...mas até isso hoje se é questionável,mesmo porque os sonhos e devaneios em geral são as realizações feitas no mundo real pelo qual se armazenou ou se desenvolveu.Portanto não infinito e sim finito.Não há como desprender totalmente desta realidade enquanto mente sã e acredito que sabedoria não é fugir,mas saber dosar entre ora fugir ora agir,uma sustentando a outra.
Afixado por: Phil em fevereiro 13, 2006 08:17 PM