Distância e longa ausência prejudicam qualquer amizade, por mais desgostoso que seja admiti-lo. As pessoas que não vemos, mesmo os amigos mais queridos, aos poucos se evaporam no decurso do tempo até ao estado de noções abstractas, e o nosso interesse por elas torna-se cada vez mais racional, de tradição. Por outro lado, conservamos interesse vivo e profundo por aqueles que temos diante dos olhos, nem que sejam apenas os animais de estimação. Tão presa aos sentidos é a natureza humana. Por isso, aqui também são sábias as palavras de Goethe: O tempo presente é um deus poderoso.
Os amigos da casa são chamados assim com justeza, pois são amigos mais da casa do que do dono, portanto, assemelham-se antes aos gatos do que aos cães.
Os amigos dizem-se sinceros; os inimigos o são. Sendo assim, deveríamos usar a censura destes para nosso autoconhecimento, como se fosse um remédio amargo.
Os amigos são raros na necessidade? Não, pelo contrário! Mal fazemos amizade com alguém, e logo ele estará em dificuldade, pedindo dinheiro emprestado.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em março 14, 2006 09:00 AMInfelizmente, tenho de concordar. Cada vez mais assim o é. À medida que o mundo tende a alterar-se com mais rapidez, menos tempo é preciso estar longe para uma amizade descarrilar, se é que me é permitido falar nestes termos. Começam a escassear pontes de comunicação útil, relativas a conversas que não se resumem às perguntas habituais e triviais.
(www.marceladas.blogspot.com)
não sei se o termo "prejudicar" sera o mais correcto mas talvez seja verdade que um afastamento ou a ausência de um amigo pode desfortalecer uma amizade por muito forte que esta seja.
sim, considero que um amigo é aquele que nos diz a verdade, mesmos os defeitos, contribuindo assim para o nosso autoconhecimento.pode ter um sabor amargo mas a verdade ou a realidade nao é propriamente doce e o primeiro passo é aceitarmo-nos...por é tão dificil encontrar amigos.
Posso dizer que os pensamentos tem uma energia inimaginável e por muito longe que esteja de uma amiga, ela esta presente em mim em quase todos os momentos do dia.
Quanto a comunicação..bem, concordo que é sempre complicado gerir tanta informação para uma conversa mas esta não tem de se cingir a questões banais.
Sempre procurei observar estas ocasiões do relacionamento humano. Sei bem que as amizades são por algo que trocaram,não necessariamente o dinheiro conforme Schopenhauer disse,mas algo a mais,uma espécie de sacrifício é valorizada e por isso justifica chamar alguém de mais amiga que outra (apesar de muitas não sentirem a importância às vezes). Pensava eu então com meus botões,pois já passei por situação similar: "Se não sentir agora, eis de sentir com o tempo e diante da necessidade regressarás pedindo desculpas". O silêncio permaneceu e eu já irado ousei em dizer que aquela não era minha amiga mais,contudo usei este mesmo tempo de distanciamento que pôde ter afastado e não retorcido a pessoa em lembranças de um passado querido...achei estranho, seco e continuo ainda a estudar esta coisa que nos liga através de atos e atitudes,que altera visões e percepções e que um dia pode se cansar se for intensa a relação,ao atingir seu limite.
Afixado por: Phil em março 26, 2006 04:14 AM