Não quero fazer moral, mas dou o seguinte conselho àqueles que a fazem: se quereis tirar às melhores coisas todo o prestígio e todo o valor, continuai a falar delas como o fazeis. Fazei disso o centro da vossa moral, repeti de manhã à noite a felicidade da virtude, a tranquilidade da alma, a equidade e a justiça imanente; pelo caminho por onde ides, essas excelentes coisas acabarão por ganhar o coração do povo; a voz do povo estará do seu lado; mas, passando de mão em mão, perderão toda a sua duradoura; pior: o seu ouro transformar-se-á em chumbo. Ah! Como sois peritos nessas contra-alquimias! Como sabeis desvalorizar as substâncias mais preciosas! Tentai, portanto, uma vez, a título de experiência, uma receita diferente, se não quereis, como até agora, conseguir o contrário daquilo que procurais: negai essas excelentes coisas, retirai-lhes o aplauso da multidão, entravai a sua circulação, voltai a fazê-las outra vez o objecto de secreto pudor da alma solitária, dizei que a moral é um fruto proibido! Talvez ganheis então para a vossa causa a única espécie de homens que interessa, quero dizer, a raça dos heróis. Mas seria necessário que esta causa inspirasse o receio, e não o desprezo, como fez até aqui! Não seremos, com efeito, tentados hoje a dizer à moral, à maneira de Mestre Eckardt: «Peço a Deus que me liberte de Deus?»
Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
Publicado por pns em março 22, 2006 09:00 AMÉ a crucial questão da forma.
A inteligência não se limita a conseguir conceber um convincente conteúdo. Ela também se vê pela estratégia que adoptamos para fazer chegar a mensagem que pretendemos passar,pois isso determina a eficácia da sua dispersão.
(www.marceladas.blogspot.com)
Achei curioso quando ele diz: "Mas seria necessário que esta causa inspirasse o receio, e não o desprezo, como fez até aqui!" Assim, a moral seria visto como um mal necessário e Nietzsche pôr esta utilidade, justamente Nietzsche que foi um feroz crítico a todas as falsas morais do século XIX com impactos de sua filosofia no século XX foi bem interessante este reconhecimento e particularmente esta sua visão lamentadora e não mais irritadiça de "pôr fogo" naqueles que não são o que acha ser o ideal próprio. O respeito,o lamento,o questionamento profundo das bases morais e suas funções.. sem dúvida um belíssimo excerto sobre o homem Nietzsche e seus ideais.
Mas isso porque ele em sua vida como pensador teve grandes períodos de radicalização (vide no próprio livro quando ele buscando o super-homem,declara com muito radicalismo o extermínio de doentes mentais,dentre outros que para ele são "frutos do mal",portanto parte da natureza em maior parte. Nietzsche sempre foi um questionador do que é natural ou não no ser humano...com razão.
«Peço a Deus que me liberte de Deus?»
Genial.
DE 20 A 23 DE JULHO
12° CONGRESSO DA UMADESC
PARTICIPAÇÕES:CASSIANE, FERNANDA BRUM, MINISTERIO APASCENTAR, ALDA CELIA, BRUNA KARLA E O GRANDE CORAL DA UMADESC COM 1200 VOZES
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