março 30, 2006

O Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.
(...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

Fernando Pessoa, in 'O Rio da Posse'

Publicado por pns em março 30, 2006 09:00 AM
Comentários

O amor é deveras paradoxal.
Está montado de forma a exigir algo e o inverso desse algo simultaneamente, fazendo com que se torne uma loucura humana.
Muito cuidado com ele.

[www.marceladas.blogspot.com]

Afixado por: Marcelo Melo em março 30, 2006 06:40 PM

É realmente algo místico esta chama do amor,nestas trocas que vão e vem e por algum motivo perdura por tempos.Gostos e desgostos se misturam. É como se estivesse nós a falar com nós mesmos...mais é algo muito mais que isso. O roçar de lábios ou o ardor de se amor,vai muito além do próprio conceito da estética. É como se dois cérebros,duas vidas,duas mentalidades, pudessem estar encadeadas em seres uno em perfeito harmonia química e psicológica,onde a transposição do espaço já não mais é um empecilho tamanha transferência dos sentidos.

Afixado por: Phil em março 31, 2006 01:41 PM
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