Eu odeio, no fundo, toda a moral que diz: «Não faças isto, não faças aquilo. Renuncia. Domina-te...». Gosto, pelo contrário, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refazê-la, a pensar nela de manhã à noite, a sonhar com ela durante a noite, e a não ter jamais outra preocupação que não seja fazê-la bem, tão bem quanto for capaz entre todos os homens. A viver assim despojamo-nos, uma a uma, de todas as preocupações que não têm nada a ver com esta vida: vê-se sem ódio nem repugnância desaparecer hoje isto, amanhã aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da árvore; ou mesmo nem sequer se dá por isso, de tal modo o objectivo absorve o olhar, de tal modo o olhar se obstina em ver para diante, não se desviando nunca, nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. «É a nossa actividade que deve determinar o que temos de abandonar; é actuando que deixaremos», eis o que amo, eis o meu próprio placitum! Mas eu não quero trabalhar para me empobrecer mantendo os olhos abertos, não quero essas virtudes negativas que têm por essência a negação e a renúncia.
Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
Publicado por pns em abril 7, 2006 09:00 AMDesculpe, Nietzsche, mas Vossa Senhoria está misturando um pouco as coisas, embora faça isso com certo talento verbal. Quando a moral proibe tais e quais ações está se referindo àquilo que poderíamos chamar, genericamente, de "coisas más". Isso porque tais coisas trazem consequências pesadas ou dolorosas, para si mesmo, para a família ou para a comunidade como um todo. Comer sempre até estourar resulta em obesidade, diabetes, pressão alta e outros males. Viver em função do sexo -- sem levar em conta os direitos alheios --, arruina a família, se o "touro" for casado; se livre, enfraquece ou empobrece, conforme o viciado seja jovem ou velho. Isso sem mencionar sangramentos por orifícios de bala ou punhal por parte de maridos ou noivos menos filosóficos. E não esquecer os perigos de doenças velhas e novas, a demonstrar que a natureza parece ser moralista, inventando vírus novos. Um certo ex-presidente americano, quase caçado,se obedecesse ao "não faça isso!" manteria sua estagiaria em respeitável distância da sua mesa de trabalho. Jogo, tóxicos, bebida e preguiça (não combatida) também trazem seu cortejo de males. Assim, certas proibições são válidas e mesmo recomendáveis. Apenas o exagero fanático é que é um mal, e nisso Nietzsche tem razão. Quanto à sede de perfeição, por ele referida, parece estar relacionada com o trabalho bem feito, algo plenamente elogiável. Aí já é outro departamento. Finalmente, para dar um pouco de razão ao filósofo, diríamos que o homem deve dedicar-se de corpo e alma à realização de seus sonhos e, nos momentos de lazer aproveitar a vida, mas sem ultrapassar determinados limites. O Conselheiro Acácio também diria isso, também, mas nesse ponto estaria coberto de razões.
Afixado por: Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues em abril 7, 2006 02:05 PMSim, concordo que é perigoso renunciar linearmente a essa moral. Seria dar corda a muito espírito selvagem só mantém patamares sociais razoáveis porque se submete a esses guias.
Aposto que Nietzsche apoia essa renúnica porque é senhor de uma mente mais sólida no que toca a trilhar caminhos certeirose como tal sente-se maçado por avisos supérfluos.
No mais, ele não é prudente.
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Afixado por: Marcelo Melo em abril 18, 2006 02:36 PMQuem é q quer prudência e quem é q quer regras morais qd se sente preso a insatisfaçôes e se sente sujeito a um jogo no qual nao gosta de participar. Curar a alma através da libertação de sentimntos tem muito valor para quem gosta de sentir a vida e concretizar "sonhos" ou desejos( palavra que se encaixa muito melhor do q "sonhos", ao menos não é upópica nem tem a conotação de inalcançável). Quem é q nao gosta de explodir de sensações rodeado de amigos e ter acções q nao parecem nada racionais.(nao confundir esta parte com o consumo de drogas) Mas todas as situações tem o seu tempo de encaixe.
Afixado por: Gonçalo em abril 19, 2006 09:25 PMQuem é q quer prudência e quem é q quer regras morais qd se sente preso a insatisfaçôes e se sente sujeito a um jogo no qual nao gosta de participar. Curar a alma através da libertação de sentimntos tem muito valor para quem gosta de sentir a vida e concretizar "sonhos" ou desejos( palavra que se encaixa muito melhor do q "sonhos", ao menos não é upópica nem tem a conotação de inalcançável). Quem é q nao gosta de explodir de sensações rodeado de amigos e ter acções q nao parecem nada racionais.(nao confundir esta parte com o consumo de drogas) Mas todas as situações tem o seu tempo de encaixe.
Afixado por: Gonçalo em abril 19, 2006 09:29 PMNão há uma questão de verdadeira moral ou falsa moral. Há uma questão na dialética do poder ao qual o desejo é sempre se sobrepôr,apesar deste "sobrepôr",nunca ser de fato considerando existir sempre outros sobre os quais devemos obediência, assim o abandono nunca é efetivo,mesmo por vontade ou revolução.
Afixado por: Phil em abril 25, 2006 06:20 AM