abril 11, 2006

Não Amar nem Odiar

Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do carácter. Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos a proteger-nos da confiabilidade e da amizade tolas.
«Não amar, nem odiar», eis uma sentença que contém a metade da prudência do mundo; «nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade. Decerto, daremos de bom grado as costas a um mundo que torna necessárias regras como estas e como as seguintes.

Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Nunca se deve revelar cólera ou ódio a não ser por actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Apenas animais de sangue frio são venenosos.
Falar sem elevar a voz: essa antiga regra das gentes do mundo tem por alvo deixar ao entendimento dos outros a tarefa de descobrir o que dissemos. Ora, tal entendimento é vagaroso, e, antes que termine, já nos fomos. Por outro lado, falar sem elevar a voz significa falar aos sentimentos, e então tudo se inverte. Com maneiras polidas e tom amigável, pode-se falar grandes asneiras a muitas pessoas sem perigo imediato.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Publicado por pns em abril 11, 2006 08:00 AM
Comentários

Bom, não compreendo um período de tal citação: "«nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade"; não compreendo tal metáfora. Imaginei-me mudo, e com comportamento tal como a de uma pedra. Seria esse o conselho?
Ok, para compartilhar de meus conceitos, escrevo o significado d conselho para mim. E assim o faço com o plágio criativo: "conselho é como uma chave para uma porta aberta. Ou seja, estando a porta aberto, pq preciso da chave???".
Grato sou a ociosidade, q permitia a vc ler tal comentário...

Afixado por: Jean em abril 13, 2006 03:08 AM

Bom, não compreendo um período de tal citação: "«nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade"; não compreendo tal metáfora. Imaginei-me mudo e com comportamento tal como o de uma pedra. Seria esse o conselho?
Ok, para compartilhar de meus conceitos, escrevo o significado d conselho para mim. E assim o faço com o plágio criativo: "conselho é como uma chave para uma porta aberta. Ou seja, estando a porta aberta, pq preciso da chave???".
Grato sou à ociosidade, q permitiu a vc ler esse comentário...

Afixado por: Jean em abril 13, 2006 03:13 AM

Mas que homem é esse que busca SChopenhauer? Não ama,não odeia,nem goza e muito menos compartilha!!É uma pedra sim!Esse homem já em seus pensamentos vivia(?) morto!

Afixado por: Anonymous em abril 30, 2006 05:52 AM

Schopenhauer não propõe nada impossível, que implique a mutação prejdicial do homem. Estranhar estas suas palavras é estar de tal forma envolvido na ausências destes actos propostos que não seja possível ver a sua grandiosidade.
Porque em lado algum vislumbro aquilo que ele propõe. Nos debates todos gritam, no dia-a-dia todos se acham melhores se definirem impensadamente a sua posição e a comunicarem aos que escutam ao redor.
Será bom isso? Deixo para vocês...

[www.marceladas.blogspot.com]

Afixado por: Marcelo Melo em maio 1, 2006 06:04 PM
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