Ao olharmos o caminho que percorremos na vida, ao abarcarmos o seu «erróneo curso labiríntico» (Fausto), não podemos deixar de ver muita felicidade malograda, muita desgraça atraída, e talvez facilmente exageremos nas repreensões a nós mesmos. O curso da vida não é certamente a nossa obra exclusiva, mas o produto de dois factores, a saber, a série dos acontecimentos e a das nossas decisões. Séries que sempre interagem e se modificam reciprocamente. Além disso, há o facto de que, em ambas, o nosso horizonte é sempre bastante limitado, na medida em que não podemos predizer com muita antecipação as nossas decisões e muito menos prever os acontecimentos; na verdade, de ambos conhecemos com justeza apenas os acontecimentos e decisões actuais.
Sendo assim, enquanto o nosso alvo está longe, não podemos dirigir-nos directamente para ele, mas só por aproximações e conjecturas, amiúde tendo de bordejar. Tudo o que conseguimos é tomar decisões sempre segundo a medida das circunstâncias presentes, na esperança de fazê-lo bem, para desse modo nos aproximarmos do alvo principal. Na maioria das vezes, portanto, os acontecimentos e as nossas intenções básicas são comparáveis a duas forças que agem em direcções opostas, sendo a diagonal resultante o curso da nossa vida.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em abril 27, 2006 09:00 AMuma prespectiva diagonal da vida demasiado linear, não deixando, no entanto, de ter algum fundamento verídico: "o nosso horizonte é sempre bastante limitado, na medida em que não podemos predizer com muita antecipação as nossas decisões e muito menos prever os acontecimentos; na verdade, de ambos conhecemos com justeza apenas os acontecimentos e decisões actuais."
Afixado por: zeg em abril 27, 2006 02:52 PMpor ventura, uma prespectiva diagonal da vida um tanto ou quanto linear, não deixando, no entanto, de ter algum fundamento verídico: "o nosso horizonte é sempre bastante limitado, na medida em que não podemos predizer com muita antecipação as nossas decisões e muito menos prever os acontecimentos; na verdade, de ambos conhecemos com justeza apenas os acontecimentos e decisões actuais."
Afixado por: zeg em abril 27, 2006 02:58 PMisto quer assim dizer que se sonharmos e lutarmos por alguma coisa o conseguimos? ou não passam de sonhos? aqueles que amam terão problemas em fazer de tudo para alcançar o alvo principal, por muito longe que este esteja?
Afixado por: Helena em abril 27, 2006 11:53 PMMeu entendimento desta reflexão de Schopenhaer é que nossa vida é a resultante de duas forças básicas: nosso Livre Arbítrio e nosso Destino. Quanto ao primeiro, pode-se dizer que reflete a soma de fatores mútltiplos, sobre nós atuantes: espiritual,genético,social,econômico,educacional,etc, os quais servem de apoio a nossa Vontade. Já o segundo nos foge ao domínio completamente, pois na minha crença, tem fundamento metafísico. Somos pois, a resultante destas duas forças.
Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em abril 28, 2006 01:12 PMO filósofo diz que as "duas forças agem em direcções opostas", mas nem sempre isto há de acontecer.
Por muitas vezes não temos que nos curvar às inflexões dos acontecimentos, estes vêm ao encontro dos nossos desejos.
E no mais das vezes, o Destino é apenas a somatória de nossos desejos inconscientes, o que temos a fazer é adequar nossos desejos conscientes à razão.
É interessante observamos os fatores que contribuem para o curso de nossa vida. isso implica tb não deixar de aproveitar as oportunidades que surgem. Mas as decisões,ajudam e muito, para que realmente aconteca.
Afixado por: Juditi em abril 28, 2006 04:49 PMÉ interessante observarmos os fatores que contribuem para o curso de nossa vida. isso implica tb não deixar de aproveitar as oportunidades que surgem. Mas as decisões,ajudam e muito, para que realmente aconteca.
Afixado por: Juditi em abril 28, 2006 04:50 PMEntendi que os alvos frutos do nossos anseios nem sempre estão próximos,e isto se confirma ao longo da história da humanindade na terra.Quando almeijamos conquistar o espaço estamo buscando um objetivo muito alem de nos, todavia ja o fazemos.
Afixado por: Geraldo Gama Feitosa em abril 29, 2006 02:27 PMA referida diagonal é o equílibrio, o ter noção do risco de agir, mas fazê-lo, e do ter noção de até onde agir.
É com base nesse balanceamento que se promovem decisões e, claro, com a fé de que tudo corra de maneira adequada.
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Afixado por: Marcelo Melo em maio 10, 2006 10:37 PM