maio 24, 2006

Teorias Precipitadas

É vulgar uma teoria ser resultado da precipitação de um entendimento impaciente que, desejoso de se ver livre dos fenómenos, os substitui por imagens, conceitos, ou com frequência por meras palavras. Pressente-se, e por vezes vê-se até com clareza, que se trata apenas de expedientes. Mas não é sabido que a paixão e o partidarismo se deixam atrair pelos expedientes? E com toda a razão, porque tanta falta lhes fazem.
(...) Avançar precipitadamente para o fim a alcançar, sem reflectir sobre os meios. Como se, para poder ajudar tão cedo quanto possível uma cirança de berço, lhe quiséssemos matar o pai.

Se atentarmos em certos problemas de Aristóteles ficamos supreendidos com o dom de observação e com a imensidade de coisas que não escapavam ao olhar dos gregos. E contudo cometiam o erro da precipitação, já que saltavam imediatamente dos fenómenos para a explicação, de onde resultaram formulações teoréticas totalmente inadequadas. Trata-se todavia de um erro geral que ainda hoje continua a ser cometido.

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Publicado por pns em maio 24, 2006 09:00 AM
Comentários

O frenesi na busca da apresentação das teorias não diminuiu, antes, acentuou-se. Goethe continua atual na sua assertiva. O mesmo se aplica às pesquisas divulgadas periodicamente. E por isso estão cada dia menos confiáveis.

Afixado por: tesco em maio 24, 2006 06:06 PM

O homem tem uma tendência a se precipitar antes de qualquer elaboração mais detalhada,principalmente num mundo onde existem informações variadas e resumos de todos os tipos.
Todos querem dar seus pitecos e,assim, o julgamento torna-se cada vez mais algo presente,resquícios de uma velha moral corrompida.

Afixado por: Ehcsztein em maio 28, 2006 11:47 PM

Tenho sido confrontado na minha vida profissional com duas abordagens distintas à resolução de problemas, ou à busca de soluções de melhoria.
Uma, a abordagem americana, aborda o problema tentando definir os seus contornos e natureza, estuda e mede os factos relacionados e tenta obter uma solução "programada" e minimamente validada.
A outra, a abordagem "europeia", tem muita tendência a partir de um conjunto bastante restrito de factos e interpretações - muitas vezes incompletas ou incorrectas - para tentativas rápidas de solução. Neste processo - de tentativa e erro - adquire-se mais conhecimento do problema e as tentativas de solução vão-se aproximendo cada vez mais da solução mais efectiva. Parece (e é, visto de uma certa forma de racionalidade - e há mais abordagens racionais do que se pensa) uma atitude precipitada e um queimar de etapas que pode ser custoso.

Embora esta abordagem seja bastante custosa em tempo e recursos, provavelmente mais do que a abordagem "americana", a verdade é que uma (a americana) é baseada em "PROCESSOS" e a outra, a "europeia" em "EXPERIMENTAÇÃO".

Se pensarmos um pouco, veremos que a abordagem experimentalista é a mais adequada para situações onde são requeridas abordagens inovadoras e até revolucionárias, enquanto que a abordagem mais baseada em processos, em passos sequenciados e determinados, é bem mais útil no tratamento de problemas que surgem em quadros bem definidos.

Em suma, a "precipitação" faz falta!... E (se ainda não estivermos convencidos) pensemos no papel que o "acaso", o desconhecido tem nas descobertas e invenções humanas de maior impacto...

Afixado por: WiseMax em fevereiro 22, 2007 08:23 PM

O mundo é realmente pequeno para algumas cabeças...

Há um terceiro caso,que não é a da "Ciência comercializada" dos europeus, e muito menos do "Pragmatismo Esquizofrênico" dos americanos: o método asiático.

Muitos pensariam que é uma lógica absurda,porque o Oriente sempre esteve em sua história ligada a seu métodos religosos e milenares, enquanto o Ocidente se enbanjava de Filosofia,naquele velha discussão do discurso. E o Oriente, mesmo assim, teve grandes avanços feitos pelos povos árabes, tal como na China,Ìndia ou Japão. Teorias que emergiram precipitadas na confiança de um Deus diferente(que não necessariamente é a do Deus lógico do Ocidente), num trabalho que não falava pela utilidade do indivíduo, mas pela vontade de alguém maior que tudo aquilo.

Lá seguiram os chineses utilizando a pólvora nas festas de celebração aos seus Deuses (coletivos),até o momento que o Ocidente a utilizaria para o progresso das destruições em massa,dos Deuses e de si,embriagados na conexão entre Ciência e Poder não dos Deuses,mas deles próprios.

Afixado por: Ehcsztein em fevereiro 23, 2007 06:54 PM
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