Os verdadeiros sábios perguntam como se comporta dada coisa em si mesma e na sua relação com outras coisas, sem se preocuparem com a utilidade, ou seja, com a aplicação no domínio do já conhecido ou no domínio daquilo que é necessário à vida. Há outros espíritos, gente bastante diferente, que, sendo mais agudos, mais virados para a vida, mais experimentados e familiarizados com a técnica, tratam imediatamente de encontrar as aplicações.
Os pseudo-sábios procuram apenas retirar tão depressa quanto possível algum proveito pessoal das novas descobertas, tratando de obter uma glória vã, seja pela tentativa de dar continuidade ou alargamento à descoberta em causa, seja pela introdução de correcções, ou até por uma simples anexação pessoal, por exemplo, afectando grandes preocupações em relação ao assunto. O carácter sempre prematuro desses comportamentos prejudica a verdadeira ciência, traz-lhe maior incerteza e confusão, e atrofia-lhe manifestamente aquilo que ela pode produzir de mais belo, isto é, o seu florescimento prático.
Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'
Publicado por pns em maio 30, 2006 09:00 AMConcordo plenamente com esta reflexão, pois só assim se compreende e se estimula a criatividade, tão "apregoada" nos últimos tempos.
Afixado por: isa em maio 30, 2006 01:20 PMConcordo em tese, mas cumpre fazer distinção entre os "pseudo-sábios" de Goethe: há os aproveitadores, aos quais esta denominação é justíssima e há os que, mesmo não sendo os que tiveram a idéia essencial, enxergam nela aplicações proveitosas, por vezes até aperfeiçoando a idéia-mãe. A estes, não os acho merecedores desta denominação pejorativa, pois contribuem para o bem comum. No entanto, entendo o filósofo, que quiz destacar o verdadeiro sábio, o que teve o "insight" primordial, sem qualquer preocupação de ordem egocêntrica.
Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em maio 30, 2006 05:38 PMConcordo em tese, mas cumpre fazer distinção entre os "pseudo-sábios" de Goethe: há os aproveitadores, aos quais esta denominação é justíssima e há os que, mesmo não sendo os que tiveram a idéia essencial, enxergam nela aplicações proveitosas, por vezes até aperfeiçoando a idéia-mãe. A estes, não os acho merecedores desta denominação pejorativa, pois contribuem para o bem comum. No entanto, entendo o filósofo, que quiz destacar o verdadeiro sábio, o que teve o "insight" primordial, sem qualquer preocupação de ordem egocêntrica.
Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em maio 30, 2006 05:49 PMGoethe cita uma praticidade que é travestida de utilidade,fruto essencial de ordem egocêntrica,isto é, puramente humano.
Afixado por: Ehcsztein em junho 9, 2006 01:34 PM