junho 14, 2006

A Sociabilidade é Proporcional à Vulgaridade

O homem inteligente aspirará, antes de tudo, à ausência de dor, à serenidade, ao sossego e ao ócio, logo, procurará uma vida tranquila, modesta e o menos conflituosa possível; por conseguinte, após travar algum conhecimento com aqueles que chamamos de homens, escolherá o reatraimento e, no caso de um grande espírito, até a solidão. Pois, quanto mais alguém tem em si mesmo, menos precisa do mundo exterior e menos também os outros lhe podem ser úteis. Por isso, a eminência do espírito conduz à insociabilidade. Sim, se a qualidade da sociedade pudesse ser substituída pela quantidade, valeria a pena viver até no grande mundo, mas infelizmente cem néscios empilhados não dão um único homem razoável. Já aquele que está no outro extremo, assim que a necessidade lhe permitir recobrar o ânimo, procurará passatempo e companhia a qualquer preço, e a tudo se acomodará facilmente, de nada fugindo a não ser de si.

Pois é na solidão, onde cada um está entregue a si mesmo, que se mostra o que ele tem em si mesmo. Nela, sob a púrpura, o simplório suspira, carregando o fardo irremovível da sua mísera individualidade, enquanto o mais talentoso povoa e vivifica com os seus pensamentos o ambiente mais ermo. Portanto, é bastante verdadeiro o que dizia Séneca: Toda a estultice sofre com o seu próprio fastio, bem como a sentença de Jesus, filho de Sirac: A vida do néscio é pior que a morte. Assim, no todo, acharemos que cada um será tanto mais sociável quanto mais pobre for de espírito, e, em geral, mais vulgar.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Publicado por pns em junho 14, 2006 09:00 AM
Comentários

Maravilhoso Schopenheuer, sensibilíssimo Arthur, um homem ímpar.

Afixado por: Ozeas Lopes em junho 15, 2006 07:19 PM

1´só conheço Shopenhauer de Nietsche.
2´mas vê-se que é um homem com um pensamento vulgar do século XIX,e também solitário;cada um defende aquilo em que acredita - a questão é saber as razões,os motivos que levam a uma defesa tão acérrima de algo
3´também temos capacidade de crítica que nos permite analisar aquilo em que não se acredita

Afixado por: Meshuggah em junho 17, 2006 10:49 PM

O maior desafio do Homem é socializar e vulgarizar a "eminência do espírito" e não lamentar-se de não o ter conseguido criticando quem não conseguiu ou teve ajuda para alcançar a libertação.
Um homem ímpar que não deixou descendência...lamentável.

Afixado por: thx em junho 18, 2006 02:52 PM

Penso que há diferentes casos nos modos de vida.
É indubitável que é menor ia os que buscam a solidão, e os motivos são diversos. Existem àqueles que são limitados e não se adaptam a complexa trama da convivência humana (estes, na maioria dos casos, acabam, no profundo de seu ostracismo, em conflitos internos e muitas vezes caem na rede da esquizofrenia (independentemente das tendências genéticas)). Logo penso que buscar o ócio, a ausência de dor e a serenidade requer um tanto de coragem, inteligência e disposição psicológica, pois que o homem com seu espírito em pleno individualismo, precisa, ao menos ler as notícias no jornal, lembrando que as notícias são inerentes àquele convívio que ele abandonou.
Buscar o ócio e a serenidade não siguinifica que o elemento deve fugir do convívio e sim modifica-lo, como fez (ou tentou fazer) Jesus.
Quem procura o isolamento, não o quer, de fato, mas busca a si porque pensa que o mundo tem que ser como ele. Mas o mundo não pode ser mudado por alguém que não está disposto a fazer parte dele, até mesmo das situações mais vulgares.
O verdadeiro inteligente e incomodado se adapta para depois trazer o ócio.

Afixado por: Luis Carlos Lopes de Abreu em junho 18, 2006 04:13 PM

Diz O A.S.:valeria a pena viver até no grande mundo, mas infelizmente cem néscios empilhados não dão um único homem razoável.

Em boa verdade um néscio já é abominável... Quanto mais cem dos ditos...

Afixado por: eu em junho 19, 2006 05:40 PM

Falou e disse o Luis!
Schopenhauer tinha seus traumas de infância.

Afixado por: Arlequinal em junho 27, 2006 04:13 AM

Falou e disse o Luis!
Schopenhauer tinha seus traumas de infância.

Afixado por: Arlequinal em junho 27, 2006 04:17 AM

Falou e disse o Luis.
Schopenhauer tinha seus traumas de infância.

Afixado por: Arlequinal em junho 27, 2006 04:24 AM

Falou e disse o Luis.
Schopenhauer tinha seus traumas de infância.

Afixado por: Arlequinal em junho 27, 2006 04:34 AM

Defacto mais vale só, que mal acompanhado, mas daí até se tornarmos misantropos, como o Sr. Arthur...
Penso que se deve alertar para o facto de Schopenhauer ter morrido sozinho, num apartamento em Frankfurt, apenas com a companhia da sua cadela.

Afixado por: Tiago em junho 27, 2006 08:07 PM

Eu tenho mais a favor do que contra Schopenhauer. É como a história q ele mesmo conta sobre as pessoas serem como porco-espinhos. Aproximam-se pra se aquecer, pois está frio, mas quando se aproximam acabam por se machucar. Como um reflexo natural se afastam. Passam a vida toda assim.
Agora, pessoas q conseguem ficar sozinhas tem um calor próprio. Nâo precisam dos outros pra se aquecer nem pra se machucar.
Convenhamos q muitas pessoas simplesmente não conseguem ficar muito tempo sozinhas.
Quanto a ser sábio quem procura a solidão, é complicado dizer. Não suportar, entretanto, a solidão, não é nem um pouco sábio.

Cada um defende oq lhe é mais favorável. Não concordar com ele, schopenhauer, tbm é uma forma de agradar o prórprio eu.

Afixado por: Vanessa em fevereiro 3, 2007 01:21 AM

Eu tenho mais a favor do que contra Schopenhauer. É como a história q ele mesmo conta sobre as pessoas serem como porco-espinhos. Aproximam-se pra se aquecer, pois está frio, mas quando se aproximam acabam por se machucar. Como um reflexo natural se afastam. Passam a vida toda assim.
Agora, pessoas q conseguem ficar sozinhas tem um calor próprio. Nâo precisam dos outros pra se aquecer nem pra se machucar.
Convenhamos q muitas pessoas simplesmente não conseguem ficar muito tempo sozinhas.
Quanto a ser sábio quem procura a solidão, é complicado dizer. Não suportar, entretanto, a solidão, não é nem um pouco sábio.

Cada um defende oq lhe é mais favorável. Não concordar com ele, schopenhauer, tbm é uma forma de agradar o prórprio eu.

Afixado por: Vanessa em fevereiro 3, 2007 01:21 AM

Eu tenho mais a favor do que contra Schopenhauer. É como a história q ele mesmo conta sobre as pessoas serem como porco-espinhos. Aproximam-se pra se aquecer, pois está frio, mas quando se aproximam acabam por se machucar. Como um reflexo natural se afastam. Passam a vida toda assim.
Agora, pessoas q conseguem ficar sozinhas tem um calor próprio. Nâo precisam dos outros pra se aquecer nem pra se machucar.
Convenhamos q muitas pessoas simplesmente não conseguem ficar muito tempo sozinhas.
Quanto a ser sábio quem procura a solidão, é complicado dizer. Não suportar, entretanto, a solidão, não é nem um pouco sábio.

Cada um defende oq lhe é mais favorável. Não concordar com ele, schopenhauer, tbm é uma forma de agradar o prórprio eu.

Afixado por: Vanessa em fevereiro 3, 2007 01:21 AM
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