Não faz o nome quem o doura, mas quem o adora. O sagaz mais quer necessitados de si que agradecidos. É furtar-se à esperança cortês o fiar-se no agradecimento do vulgo, pois o que aquela tem de memoriosa este tem de esquecidiço. Mais se extrai da dependência que da cortesia; quem está satisfeito dá as costas à fonte, e a laranja espremida cai do ouro ao lodo.
Acabada a dependência, acaba a correspondência, e com ela a estima. Seja lição, e sobretudo de experiência, mantê-la, não a satisfazer, conservando sempre em necessidade de si até o coroado senhor; mas não se há-de chegar ao excesso de calar para que errem, nem de deixar sem remédio o dano alheio para proveito próprio.
Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'
Publicado por pns em junho 21, 2006 09:00 AMA questão da dependência é muito complexa,mesmo que se não for uma dependência material,há de ser uma emocional,que por vezes termina nos cegando para certas coisas aos quais pode reduzir a nossa visão de vida,como provocar decepções horrendas ou mortes traumáticas. A estima é a própria luta do prazer sobre doses pequenas,coisa que nem é notado.
É assim que dá com a terrível rotina.
Depende do seu ponto de vista.Há pessoas que tem rotina libertina mesmo.É tanto às vezes que se peerde da própria amarra da vida, no melhor estilo Dionisíaco de se ver.
Há algo melhor que isso? São partes que nunca deveriam terminar e no entanto terminam...
E aqui o dilema:Viver intensamente em um curto período de vida ou viver longamente na mais insólita melancolia?