Cada um deve ser e proporcionar a si mesmo o melhor e o máximo. Quanto mais for assim e, por conseguinte, mais encontrar em si mesmo as fontes dos seus deleites, tanto mais será feliz. Com o maior dos acertos, diz Aristóteles: A felicidade pertence aos que se bastam a si próprios. Pois todas as fontes externas de felicidade e deleite são, segundo a sua natureza, extremamente inseguras, precárias, passageiras e submetidas ao acaso; podem, portanto, estancar com facilidade, mesmo sob as mais favoráveis circunstâncias; isso é inevitável, visto que não podem estar sempre à mão.
Na velhice, então, quase todos se esgotam necessariamente, pois abandonam-nos o amor, o gracejo, o prazer das viagens, o prazer da equitação e a propensão para a sociedade. Até os amigos e parentes nos são levados pela morte. É quando, mais do que nunca, importa saber o que alguém tem em si mesmo. Pois isso se conservará por mais tempo. Mas também em cada idade isso é e permanece a única fonte genuína e duradoura da felicidade. Em qualquer parte do mundo, não há muito a buscar: a miséria e a dor preenchem-no, e aqueles que lhes escaparam são espreitados em todos os cantos pelo tédio. Além do mais, via de regra, impera no mundo a malvadez, e a insensatez fala mais alto. O destino é cruel e os homens são deploráveis. Num mundo com tal índole, aquele que tem muito em si mesmo assemelha-se ao iluminado recanto de Natal, aquecido e aprazível no meio da neve e do gelo da noite de dezembro. Por conseguinte, ter uma individualidade meritória e rica e, em especial, muita inteligência, é sem dúvida a sorte mais feliz sobre a terra, por mais diversa que possa ser da sorte mais brilhante.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em julho 5, 2006 09:00 AMHá muito tempo que não lia nada tão acertado. Resta uma dúvida:e os menos inteligentes estão condenados a ser infelizes?
Afixado por: Isabel em julho 5, 2006 10:03 AMEu revejo-me nessa afirmação, mas também penso que só pode pensar assim quem aprendeu a ter que enfrentar situações e só contou consigo mesmo para as resolver. A partir daí, consegue estar tão bem consigo que a felicidade o invade e sabe que não depende de nada nem de ninguém mas apenas de de si próprio para tirar partido da vida e ser feliz.
Afixado por: Ana Isabel Curto em julho 5, 2006 10:55 AMDe certo que os mesnos infelizes estão condenados a infelicidade, assim como os pobres de espírito, pois nada lhe resta ao não ser se lamentar por coisas passadas e invejar o mundo ao seu redor. O menos inteligente para o ser, basta se calar diante de instantes dos quais exigem dele eloqüência. Os pobres de espírito, nada mais sabem fazer do que se recordar de momentos, quando na verdade deveriam estar a criar novos momentos.
Schopenhauer é espetacular. Grandioso, tal como que nada nos resta diante de tuas palavras ao não ser colocá-las em prática.
"Até os amigos e parentes nos são levados pela morte" "Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'". Teria preferido ler " Até os amigos e parentes acabam"- É das grandes razões porque há tantas guerras no mundo.Há quem pense que com certos procedimentos se torna mártir e, assim, terá muitas virgens, passadeira e grandes carros do "outro lado". Não se morre: acaba-se!
A morte não passa de grande negócio, para clérigos, igrejas e "civis"
Afixado por: eu em julho 5, 2006 07:55 PMA espécie humana é das muitas espécies de seres vivos que existem. Para todas as outras a vida acaba... Para a espécie humana há quem pretenda que não...
Afixado por: eu em julho 5, 2006 07:59 PMAcredito piamente nas palavras de Schopenhauer!! Penso que a medida da felicidade é dada pela grandeza ou pequenez de nosso espírito! Somos nós quem calibramos os nossos sentidos! Nenhuma felicidade externa nos fará feliz se internamente não nos permitirmos isto! Basta-se aquele que sabe divertir-se até mesmo sozinho!! Portanto, feliz!!
Afixado por: JackieB em novembro 24, 2006 04:52 PMEste Schopenhauer é tão doutor... Jesu..
Como é que lhe chamam pessimista.. ele é simplesmente realista.. o problema é que a realidade é pessima..
Mas penso que é também um pouco relativo.. as opiniões são formadas consoante os interesses e consoante as vivências...
O Schopenhauer perdeu em quase tudo na vida.. Perdeu com Hegel.. não era bonito.. (parecendo que não conta muito..).. enfim.. é realista.. mas o seu passado tem muito peso nas suas opiniões pessimista... mas que nao deixam de ser realistas..
è na minha opinião o melhor filósofo, a seguir a Goethe..
Agora mais em relação ao texto..
O que me parece que ele ker dizer é que quem vive em função das exigências sociais não pode ser feliz.. pois deixa de seguir a sua vontade... Embora o homem não deixa conscientemente de agir em seu favor.. ou de julgar agir em seu favor..
Mas acho que a felicidade, mesmo assim não pertece aqueles que se bastam a si próprios..