Havia num partido um homem, que era demasiado medroso e cobarde para, alguma vez, contradizer os seus camaradas: empregavam-no para todos os serviços, exigiam tudo dele, porque ele tinha mais medo da má opinião dos seus camaradas que da morte; era um lamentável espírito fraco. Eles reconheceram isso e fizeram dele, em virtude das circunstâncias mencionadas, um herói e, por fim, até um mártir. Embora o cobarde, interiormente, dissesse sempre não, com os lábios pronunciava sempre sim, mesmo já no cadafalso, ao morrer pelas ideias do seu partido: é que, ao lado dele, estava um dos seus velhos camaradas, que o tiranizava tanto pela palavra e o olhar, que ele sofreu a morte realmente da maneira mais decente e, desde então, é homenageado como mártir e grande personalidade.
Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'
Publicado por pns em julho 12, 2006 09:00 AMTal como os existencialistas, Nietzsche demonstra que por vezes, fazer parte de alguma organização é renegar à liberdade individual que cada um de nós possui.O Homem que demonstra, chama-lhe de cobarde pois ao seguir apenas as ideias dos seus camaradas de partido, está a renegar às suas com medo de ser mal visto, até que acaba por morrer pelas ideias contrárias às suas, devido ao velho camarada que o «tiranizava tanto pela palavra e o olhar».Depois foi um mártir.Isto reflecte sobretudo o problema da liberdade humana, que se pode transformar numa má-fé, quando seguimos as ideias de alguma organização ou religião em que estamos inseridos, em vez das nossas
Afixado por: Vitor em julho 12, 2006 08:57 PMCreio que na verdade o que conta realmente é a cobardia e não o medo em si, até porque para comandar e ter o que chamam de espírito de liderança, há de haver uma sobreposição(ou se preferir um abuso) para o poder, de forma que consiga aniquilar os demais,trapaceando-os e encarando de frente. Raríssimas vezes alguém consegue subir e se manter no posto apenas por esforço e trabalho árduo...cada vez mais a competição nos faz ver o trabalho como menos dignificador. Muitos trabalham bastante e ganham pouco e poucos não trabalham nada e ganham muito. Desta forma,através de explorações e contratos que muitas vezes a lei ou o dinheiro impõe,alguém sempre tende a arrecadar mais pois a sede sempre é maior. Eis aqui a grande personalidade,aquela que mente e impõe,gesticulando por ela um jogo de interesses e poder,onde o "resto" irá seguir.
Eis o problema que o Vitor acima chama a atenção no que diz respeito à liberdade humana na infelicidade do pensamento comum do "mundo para si e não consigo".
Afixado por: Phil em julho 17, 2006 03:27 AMSin olvidarnos que nuestra libertad acaba cuando empiesa la de otro, por veces é mas facil decir que hacer, para vivir en sociedad tenemos que acabar de aceitar que somos inrremediablemente dependientes unos de los otros y que luchar por un ideal que no sea el nuestro no tiene nada de malo, lo que deberia ser verdaderamente importante es constatar que ese ideal es el mejor para la mayoria, tal como los utilitaristas proponen.
O presente texto de Nietzsche é bem reflexivo como todos os seus argumentos. O apogeu do covarde é a dominação, seja do companheiro de trabalho, do vizinho, de um familiar, não importa. O poder fala muito alto desde que o mundo é mundo e desde que tenham duas pessoas juntas. Pronto! O poder se instala. Uma quer poder mais, saber mais, resolver rápido questões que envolvem todos... Poder, dinheiro, fama...o prêmio do covarde. E morre-se todos os dias por dentro, querendo mudar essa situação, querendo cortar esse laço que mos segura. Quantos heróis não estão morrendo a cada segundo! A insegurança está a correr procurando sempre novos candidatos, ou inseguros, para controlar com olhares ou gestos. Quem se deixa dominar está insegura, não tem conhecimento da situação, e, ás vezes não tem como safar-sedevido à necessidade por que passa.Um tem mais com certeza, e manda, domina, humilha. Nas empresas, nos escritórios, nas escolas, em todo o lugar há o dominado ( covarde) e o dominador ( esperto, sabichão).Quem e como escolhe qual caminho o
seguir? Há opções diferentes no atual mimento para esses seres "covardes"?