julho 16, 2006

A Sabedoria na Riqueza

Haverá dúvidas de que um homem de sabedoria tem mais condições para desenvolver as suas qualidades no meio das riquezas do que na pobreza? Na pobreza, só há um género de virtude: não se curvar nem se abater; na riqueza, a temperança, a liberalidade, a frugalidade, a ordem e a magnificência têm um campo aberto. O sábio não se despre­zará a si próprio, mesmo que seja de baixa estatura; desejará porém ser elegante. Com um corpo frágil ou com um olho a menos, ele sentir-se-á bem, mas preferirá, contudo, que o seu corpo seja robusto, apesar de saber que, em si, há algo mais forte. Ele tolerará uma saúde má, procurando ter uma saúde boa. De facto, algumas coisas, ainda que sejam pequenas em relação ao conjunto, quando são aproveitadas sem que se arruíne o bem principal, contribuem para a perpétua alegria, que nasce da virtude: as riquezas causam ao sábio a mesma impressão e o mesmo gáudio que causa o vento favorável ao navegador, ou que um belo dia causa num lu­gar enregelado pelo frio do Inverno. Quem, entre os sábios (falo dos nossos, aqueles para os quais a virtude é um bem) nega que mesmo estas coisas, que consideramos indiferentes, têm algum valor e que algumas são até preferíveis a outras? A umas atribuímos alguma honra, a outras atribuímos muita. Não te iludas, as riquezas estão entre aquelas que são preferíveis. Deves estar a gozar comigo, dizes tu, então as riquezas não ocupam na tua casa o mesmo lugar que ocupam na minha? - Queres saber como não ocupam o mesmo lugar? Para mim, se as riquezas desa­parecerem, só se arrastarão a elas mesmas; se elas se afastarem de ti, tu ficarias estupefacto e sentir-te-ias abandonado por ti próprio; na minha cabeça, as riquezas ocupam um lugar qualquer; na tua ocupam o lugar mais elevado; em suma, as riquezas pertencem-me, tu pertences às riquezas.

Séneca, in 'Da Vida Feliz'

Publicado por pns em julho 16, 2006 02:00 PM
Comentários

Tem pessoas pobres que desejam ardentemente possuirem bens materiais e status, achando que desta forma encontrarão a felicidade tão desejada, pura ilusão, as riquezas trazem com ela toda a responsabilidade e comprometimento que uma pessoa pobre não possue, não quero dizer que pessoas pobres não tem responsabilidades, muito pelo contrário, mas essas não possuem bens para administrarem como os ricos; um rico pode possuir muitos bens e ser extremamente infeliz, a sua riqueza não te dá a condição de ser feliz, e sim a maneira como ele lida com toda a sua riqueza, porque se ele se deixar levar pela sua ambição que não possue limites, o seu sentimento final será sempre de um enorme vazio, ele deve sempre ter em mente que os bens aos quais ele possue e deve administrar são somente um meio e não um fim; se o propósito que o move a cuidar dos seus bens não possue um final espiritual e benevolente, ele é então escravo de suas paixões, porque seus bens são apenas temporários, já a sua alma não; enriqueça-se sim mais com bens substanciais e não com ilusões passageiras.

Afixado por: Jefferson Roque dos Santos em julho 19, 2006 02:52 AM

Achei interessante o excerto de Seneca(que contudo acho estar incompleto) e a conseguinte extensão feita por Jefferson. Muitos filósofos clássicos rogam praga para o materialismo em prol de sua filosofia,contudo poucos ou ninguém conseguem. Isso porque há uma necessidade ou um orgulho de que não podem largar,de que precisam de uma forma ou outra. Uma boa pergunta com respostas variadas. Porque o homem precisa de algo que o sustente,principalmente na sua condição contemporânea? Por causa de sua cultura? Por questões psicológicas que remetem aos gostos infantis? etc.
Muitas outras respostas podem ser postas,contudo como lidar com esta difícil situação? Onde entraria a sabedoria? Aí vejo um grande problema, porque se remeterem a sabedoria a arte de dosar,vejo que na dependência existente atualmente na solidão do homem, parece que tudo gruda como ímã e dosar com filosofias voltadas para virtude e outros fins moralistas já não é o bastante para nossa situação.
Talvez não exista uma sabedoria na riqueza, mas na conexão existente entre riqueza e a sennsibilidade,naquilo que nos leva a sermos sermos mais seres emotivos, nas percepções e mesmo na melancolia reflexiva. Este além razão,muito mais subjetivo, pode ser a espécie de sabedoria almejada...

Afixado por: Phil em julho 22, 2006 04:05 AM

Achei interessante o excerto de Seneca(que contudo acho estar incompleto) e a conseguinte extensão feita por Jefferson. Muitos filósofos clássicos rogam praga para o materialismo em prol de sua filosofia,contudo poucos ou ninguém conseguem. Isso porque há uma necessidade ou um orgulho de que não podem largar,de que precisam de uma forma ou outra. Uma boa pergunta com respostas variadas. Porque o homem precisa de algo que o sustente,principalmente na sua condição contemporânea? Por causa de sua cultura? Por questões psicológicas que remetem aos gostos infantis? etc.
Muitas outras respostas podem ser postas,contudo como lidar com esta difícil situação? Onde entraria a sabedoria? Aí vejo um grande problema, porque se remeterem a sabedoria a arte de dosar,vejo que na dependência existente atualmente na solidão do homem, parece que tudo gruda como ímã e dosar com filosofias voltadas para virtude e outros fins moralistas já não é o bastante para nossa situação.
Talvez não exista uma sabedoria na riqueza, mas na conexão existente entre riqueza e a sennsibilidade,naquilo que nos leva a sermos sermos mais seres emotivos, nas percepções e mesmo na melancolia reflexiva. Este além razão,muito mais subjetivo, pode ser a espécie de sabedoria almejada...

Afixado por: Phil em julho 22, 2006 04:11 AM

Achei interessante o excerto de Seneca(que contudo acho estar incompleto) e a conseguinte extensão feita por Jefferson. Muitos filósofos clássicos rogam praga para o materialismo em prol de sua filosofia,contudo poucos ou ninguém conseguem. Isso porque há uma necessidade ou um orgulho de que não podem largar,de que precisam de uma forma ou outra. Uma boa pergunta com respostas variadas. Porque o homem precisa de algo que o sustente,principalmente na sua condição contemporânea? Por causa de sua cultura? Por questões psicológicas que remetem aos gostos infantis? etc.
Muitas outras respostas podem ser postas,contudo como lidar com esta difícil situação? Onde entraria a sabedoria? Aí vejo um grande problema, porque se remeterem a sabedoria a arte de dosar,vejo que na dependência existente atualmente na solidão do homem, parece que tudo gruda como ímã e dosar com filosofias voltadas para virtude e outros fins moralistas já não é o bastante para nossa situação.
Talvez não exista uma sabedoria na riqueza, mas na conexão existente entre riqueza e a sennsibilidade,naquilo que nos leva a sermos sermos mais seres emotivos, nas percepções e mesmo na melancolia reflexiva. Este além razão,muito mais subjetivo, pode ser a espécie de sabedoria almejada..

Afixado por: Phil em julho 22, 2006 04:14 AM

Não sei como pensar a respeito,mas creio que o Phil e o amigo de cima esteja com alguma razão já que riqueza é algo tão nosso.

Afixado por: Alexandre Petro Barbosa em julho 23, 2006 05:34 AM

Para o sábio tanto faz a riqueza ou a pobreza, pois o ele sabe que o que realmente importa, independe de bens materias. Tem controle sobre si mesmo, procura fazer aos outros o que gostaria que fizessem a ele.

Afixado por: Fátima em agosto 14, 2006 11:54 PM

eu queria saber quem foram os filosofos classicos e o que eles pretendiam?
se vcs puderem me responder eu agradeço
espero respostasbreves

Afixado por: thaiane em maio 28, 2008 09:10 PM

A riqueza dos homens está na sua capacidade de ter amigos.

Afixado por: José Martins em julho 7, 2008 05:49 PM
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