Hoje toda a gente se trata por tu, já deves ter reparado, é uma forma despachada e falsamente confidencial. Eu não gosto, porque é inconveniente... Acho que quando duas pessoas se estimam devem tratar-se por você, é uma forma que revela civilidade e respeito pelo outro. E além disso marca aquela distância necessária para exprimirmos mutuamente que apesar de nos conhecermos bem, intimamente, até, e de sabermos os nossos respectivos segredos, continuamos a fazer de conta que não, que não sabemos certas coisas, e fazemo-lo para que o outro se sinta mais à-vontade, como quando alguém te confessou uma coisa importante que não diria a ninguém, mas era como se estivesses distraído, claro que não é bem assim, ouviste-o com muita atenção, mas... lá está, é como se já não estivesses a pensar nisso, guardaste aquilo num compartimento secreto do teu coração e fechaste-o à chave...
António Tabucchi, in 'Tristano Morre'
Publicado por pns em julho 24, 2006 09:00 AMSem dúvida , mas no entanto porque me trata por "TU" ?
Afixado por: Paula em julho 24, 2006 12:16 PMSem dúvida , mas no entanto porque me trata por "TU" ?
Afixado por: Paula em julho 24, 2006 12:16 PMSem dúvida , mas no entanto porque me trata por "TU" ?
Afixado por: Paula em julho 24, 2006 12:16 PMHoje toda a gente se trata por tu ( é o teu exagero coloquial, não é António? Mas porque não? De certeza que não fizeste qualquer estudo para dar suporte credível ao que dizes!), já deves ter reparado, é uma forma despachada e falsamente confidencial( despachadamente? falsamente? Confidencial? Nem sequer mediste as palavras. Mas, porquê António? Admiro-te muito,sabes?) . Eu não gosto, porque é inconveniente ( outra, António! Acalma-te! Pensa! Caramba!)... Acho que quando duas pessoas se estimam devem tratar-se por você ( Oh António não vais conseguir explicar porquê...), é uma forma que revela civilidade e respeito pelo outro ( há tantos que, como eu, tratam os seus mais amados por tu). E além disso marca aquela distância ( qual distância qual carapuça!) necessária para exprimirmos mutuamente que apesar de nos conhecermos bem, intimamente, até, e de sabermos os nossos respectivos segredos ( os segredos, por definição, não se revelam- deixam de ser os ditos!), continuamos a fazer de conta que não, que não sabemos certas coisas, e fazemo-lo para que o outro se sinta mais à-vontade, como quando alguém te confessou uma coisa importante ( o que se confessa não tem que, necessariamente, ser importante! Só se se quiser...) que não diria a ninguém, mas era como se estivesses distraído, claro que não é bem assim, ouviste-o com muita atenção, mas... lá está, é como se já não estivesses a pensar nisso, guardaste aquilo num compartimento secreto do teu coração e fechaste-o à chave ( António: se não te conhecesse tinha cá levado abanão de peso...)... Dorme bem, António! Até vales muito!
Afixado por: Décius em julho 24, 2006 10:37 PMAssim é que se fala Paula! Como tenho filha Paula com mais de 30...., posso dizer?! Assim é que se fala Paulinha!!!!! As
Afixado por: tecius em julho 24, 2006 10:41 PMAssim é que se fala Paula! Como tenho filha Paula com mais de 30...., posso dizer?! Assim é que se fala Paulinha!!!!! As Paulas, Paulinhas, são assim!
Afixado por: tecius em julho 24, 2006 10:41 PMAssim é que se fala Paula! Como tenho filha Paula com mais de 30...., posso dizer?! Assim é que se fala Paulinha!!!!! As Paulas, Paulinhas, são assim!
Afixado por: tecius em julho 24, 2006 10:41 PMTu,voçé! Meras palavras soltas ao vento, o repeito, a dignidade,a honestidade, não necessitam de auxiliares para que surtam efeito sobre os homens, deixemo-nos de formalismos, passemos aos actos visiveis, e as vocalizações não passarão de complementos racionais do nosso ser...
Afixado por: Tiago Brás em julho 24, 2006 11:03 PMTu viajaste Antônio...ou seria: Você viajou? não importa, o que importa? comparação inconveniente, nao gostei...
Afixado por: Juditi em julho 25, 2006 12:56 AMAntonio, desculpe-me. Tu ou você?Ainda estou ligando os pontos.Podemos de modo simples e direto dizer o que pensamos,então porque não deixarmos para o momento apropriado o coração falar?Creio ser bem mais autêntico.
Afixado por: nilson em julho 25, 2006 01:41 AMQue belo texto! As minhas reflexões sobre essa alteração de tratamento que reparo tanto, remetem para a publiciade da eterna juventude, pois agora toda a gente nos anúncios trata o consumista por tu, especialmente no apelativo tom do jovem que já consome. Afinal chocar-me-á sempre que alguém que mal conheça me trate por tu, falsa familiaridade, falsa forma de igualdade que o tutear acarreta e de alguma forma magoa mesmo.
Repare-se num pormenor essencial, entre nós, açoreanos, o você não se usa, choca mesmo! Não haverá em tuto isto um certo modo de ser que nos coloca a favor ou contra as formas de tratamento? O açoreano ao dizer ou ouvir «Você» coloca-o num contexto negativo, mesmo de insulto. Dá um sobressalto repentino, algo inconveniente. Pode passar dias e dias aqui, no nosso longe,entre Açoreanos, sem ouvir alguém dizer você e, todavia não o tratará por tu... Vocemecê está ainda tão perto.
A linguagem é um espaço tão delicado e tão mal usado.Usamos o vocês, no plural, mas nunca no singular e, nem por isso abunda o tutear o Outro. Nisso nos distinguimos dos portugueses de hoje e mesmo de ontem... Você dói, tu é indelicado, fica o largo espaço de tratar com simplicidade na 3ª. pessoa, evitando o demasiado longe e o demasiado perto. O longe é o eterno presente dos Açoreanos. Talvez o Senhor Tabuchi que conhece bem os Açores nem tenha reparardo nesse importantíssimo pormenor. Somos nós, nem tu nem você, somos nós o melhor meio de ser linguagem como a casa do Ser onde afinal somos todos. Obrigada pela profunda reflexão e seria bom que a continuasse com os olhos postos no longe que é o Outro, especialemente quando o Mar é o nosso Senhor e esse o espelho em que nos revemos. Um espelho infinito, sem você nem o jovem tu que soa falso e retira aquela distância imprescindível para um diálogo de pessoas que se repeitam e se aceitam sem excessos de familiaridade que só um longo, mas mesmo muito longo tempo autoriza.
Me parece que todo ese tema gira en torno de la educación que cada uno recibe, imaginen un pais donde todos se tratan por tu, y esa es una condición impuesta por el regimen, o sea es obligatório, ese pais existe y sentimientos como el repeto, el amor y el odio tanbién existen y yo que lo conosco bién puedo asegurerles que mantener alguna distancia cuando se quiere se torna difícil pero mismo asi ellos consiguen y se preguntam como es posible que existan sitios donde hasta los mas intimos por veses se tranten de usted? (voce). Por eso todas las opiniones son válidas y los cambios de valores fueron siempre motivo de crítica.
Afixado por: Yuliet em julho 25, 2006 11:54 AMO que é uma escolha de palavras como tu e você diante de tanta falsidade e prepotência? Aquire-se um mero papel de esquadrinhador de palavras,um dicionário!
Afixado por: Ehcsztein em julho 26, 2006 09:54 PMNeste país de de brincadeira,conseguisTE o que queriaS...
Tambem é fácil:sobre futebol e parvoíces todos perdem tempo e sabem muito.
Para aqui deixar estas linhas,fui instado 2 vezes por um escorpião literário.
Á riverderTE TONELITO...