agosto 25, 2006

Amor e Amizade Afectam Sempre Terceiros

Pretende-se sempre obter a mesma preferência que se conce­de; o amor deve ser recíproco. Para se conseguir ser amado, é pre­ciso ser-se amável; para se ser preferido, é preciso ser-se mais amável que outro, mais amável que todos os outros, pelo menos aos olhos do objecto amado. Daí, os primeiros olhares sobre os nossos semelhantes; daí, as primeiras comparações com eles, daí a emu­lação, as rivalidades, o ciúme. Um coração penetrado de um sen­timento que transborda gosta de se expandir: da necessidade de uma amada, em breve nasce a de um amigo. Aquele que experi­menta a doçura de ser amado quereria sê-Io por todos, e todos não poderiam pretender ser preferidos, sem que houvesse muitos des­contentes. Com o amor e a amizade, nascem as desavenças, a an­tipatia, o ódio. Do seio de tantas paixões diferentes, vejo a opinião que, para si mesma, erige um trono firme, e os estúpidos mortais, sujeitos ao seu domínio, basearam a sua existência nos juízos de outrém.

Jean-Jacques Rousseau, in 'Emílio'

Publicado por pns em agosto 25, 2006 09:00 AM
Comentários

Porto, 006.08.25
Amor e amizade afectam sempre terceiros?...
Sim, o amor e a amizade afectam sempre terceiros e deverá haver recíprocidade nesse processo de afectar. O amor vem depois da amizade. Só depois duma boa amizade vem o amor. Acho que o amor não compara e recusa-se a tal; aceita. Não creio que aquele que experimenta a doçura de ser amado o queira ser por todos. Quer ser amado por aquele que ama e por quem se sente amado e amará aquele que o ama na mesma proporção. Com o amor e a amizade, nascem as desavenças, a antipatia, o ódio? Não estou de acordo, com o amor e a amizade põem-se fim às desavenças, antipatias e aos ódios.
JS

Afixado por: JOÃO SOUSA em agosto 25, 2006 12:37 PM

Quero declarar aqui que sou o único que fez o que fez, e continúo sendo o único que faz o que faz. Amo, Amo alguém que é tudo, tudo na verdade é pouco mas não tendo palavras neste plano para externar o que realmente É, fica o sentimento e a energia de declarar sempre que possível que A Amo. Não perdi nada, pessoas dizem até agora e irão falar para todo o sempre o que perdi com esta escolha, não perdi nada, eles que me perderam. Perderam a chance de permanecerem ao lado de um casal, um acontecimento único que se dá de eons em eons que foi premiado com o Sentimento mais lindo que existe que é o Amor. Pensando agora espero que esta nossa ecolha seja algo que possa mexer com essa cultura engessada de pessoas que não aceitam o que não podem entender.
Eu que Amo. CQÉ

Afixado por: amal scheleschthing em agosto 25, 2006 05:29 PM

A respeito da amizade e do amor nada tenho dizer que Amal e João já não disseram.Procurando a origem da desavença, da antipatia, do ódio a vejo quando buscamos ser mais que alguém e quando nos comparamos com outros.Nada gerado pela amizade e pelo amor.

Afixado por: nilson em agosto 26, 2006 01:57 AM

Amor e ódio se completam.

Afixado por: GB em agosto 26, 2006 06:56 AM

PORTO, 2006.08.26
Viva.
Um cumprimento especial aí ao GB pela frase sintética mas sintomática:- "Amor e ódio se completam", concordo plenamente.
js

Afixado por: João Sousa em agosto 26, 2006 10:06 AM

Apoio os comentários sobre o Amor e a Amizade referidos por Rousseau no contexto em que os coloca. Quanto à frase "Com o amor e a amizade, nascem as desavenças, a an­tipatia, o ódio.", julgo que Rousseau aludia à inveja que esses sentimentos podem suscitar naqueles que observam os gestos de carinho e de cumplicidade que os exteriorizam. Sabemos que felicidade dos outros incomoda os que vivem amargos com a vida, decepcionados com o amor, com a amizade. O autor eleva aqui Amor e Amizade à pureza original: actualmente confundem-se muito com outros interesses, quem sabe as ditas paixões.
Acho ainda curioso a relação Amizade/Amor subtilmente indissociáveis. Na acepção do autor este Amor é entre um homem e uma mulher. Concordo com João Sousa quando diz que o Amor pode surgir de uma amizade. Aliás se os casais fossem amigos para além de serem marido e mulher poupar-se-iam muitos ódios, desavenças e sofrimento quando o amor acaba, não é?
"Do seio de tantas paixões diferentes, vejo a opinião que, para si mesma, erige um trono firme, e os estúpidos mortais, sujeitos ao seu domínio, basearam a sua existência nos juízos de outrém." Esta frase dá-nos que pensar. Será que vivemos o amor e a amizade em função das opiniões dos outros?
Lamento mas não concordo com a ideia que o amor e o ódio se complementam. A água e o fogo chocam quando se encontram. A fronteira entre os dois sentimentos não pode ser tão ténue. O ódio pode sufocar o amor.
Esta é apenas a minha singela opinião e longe de mim "erigi-la como um trono".
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 27, 2006 12:52 AM

PORTO, 2006.08.26
Bom dia.
Diz você:- “Lamento mas não concordo com a ideia que o amor e o ódio se complementam. A água e o fogo chocam quando se encontram. A fronteira entre os dois sentimentos não pode ser tão ténue. O ódio pode sufocar o amor. “

Deixe-me dizer-lhe mais pormenorizadamente a razão de eu concordar com o GB quando diz que “amor e ódio se completam”. Ora, o amor é um sentimento que se despoleta entre seres humanos, mais concretamente entre um homem e uma mulher. Quando se ama verdadeiramente, esse amor, gera num dos dois quase que um sentimento de posse em relação ao outro. Diz-se eu amo-te quando se quer dizer tu és o meu amor ou tu és minha (ou meu). Esta relação apertada é para manter, o que diga-se de passagem, dá muito trabalho. Se não se conseguir manter o amor, perdendo-o, surge o ódio no sentido em que o nosso amor perdido não consegue permitir a felicidade do outro, que, aparentemente está feliz. E surge o ódio. E este ódio, que aparece depois da perda do amor, como você diz e muito bem, pode sufocar o amor. Mas olhe que a fronteira entre os dois não é assim tão dilatada. Talvez a frase seja forte, mas acho que um amor perdido gera ódio e um amor recuperado anula o ódio.
A questão não pode ser tratada em termos de “água e fogo chocam quando se encontram”, porque o amor e o ódio não se encontram;, cada um tem o seu espaço à vez; ou ódio ou amor. Mas penso que o amor é resultado da ausência de ódio e ódio é o resultado da ausência do amor. Talvez não se complementem; mas são sem dúvida inimigos e a sombra um do outro. Concorda?
JS

Afixado por: JOÃO SOUSA em agosto 27, 2006 12:42 PM

Como o reverso da medalha? O lado lunar do ser humano. É verdade, a nossa alma, espírito, ou lá o que seja, ou que nome se dê, tem essas duas faces. Capazes de amar aquilo que possuímos e odiar o que perdemos ou que nos é tirado. O que seria dos sentimentos positivos se não fossem os negativos. Tenho que concordar, embora não cultive o ódio. Não é muito dificil eliminá-lo da nossa vida.
o texto de Rousseau extraído de um romance, que por acaso nunca li mas gostava de ler, defende a ideia de que o homem nasce bom e puro "o bom selvagem", é depois a sociedade que o torna num indivíduo mau. Como é obvio, este seria outro tema para discussão. A relação com os outros que se baseia numa constante forma de domínio é que o corrompe. Felizmente salva-se nessa relação o amor e a amizade. E o equilibrio mantem-se.
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 27, 2006 11:11 PM

Eu também não concordo com a idéia que o amor e o ódio se complementam. Poderíamos até dizer que quando um termina o outro inicia.

Afixado por: Juditi em agosto 28, 2006 12:16 AM

Eu também não concordo com a idéia que o amor e o ódio se complementam. Poderíamos dizer que quando um termina o outro inicia.

Afixado por: Juditi em agosto 28, 2006 12:22 AM

PORTO, 2006.08.27
Viva.
Para a Margarida,

com um cumprimento especial pela clareza da sua exposição. Gostei.. Em minha opinião amor e ódio não será bem, bem.... o reverso da medalha mas sim uma consequência natural. Temos de aceitar isto porque é assim. Lado solar e lado lunar sim; se um lado é luz outro é escuro. Você parece ter dúvidas sobre a existência da alma mas Platão não teve. Na sua obra o Fédon, Platão expõe as suas ideias e diz:- a alma não se limita a ser entendida como o princípio da vida, mas é também vista como o princípio de conhecimento. A alma é uma substancia independente do corpo, é eterna, unindo-se a ele de forma temporária e acidental. Espírito, será definido pelo conjunto total das faculdades intelectuais. Ele é frequentemente considerado como um princípio ou essência da vida incorpórea (religião e tradição espiritualista da filosofia), mas pode também concebida como um princípio material (conjunto de leis da física que geram nosso sistema nervoso). Apreciei imenso saber que não cultiva o ódio; sendo assim estamos perante uma mulher de princípios. Parabéns por isso, apesar de eu também não o cultivar. Consigo desligar antes. Diz você que o texto de Rousseau defende a ideia de que o homem nasce bom e puro e que é a sociedade que o torna mau.... Bom, é preciso não esquecer que Rousseau foi um ILUMINISTA, cuja doutrina tinha como objectivos:- A abolição da desigualdade entre as nações, o progresso da igualdade entre as pessoas e o aperfeiçoamento do ser humano.. Essa do domínio é boa. Como sabe o domínio está do lado mais forte que nem sempre é o mais justo. Será que o domínio corrompe mesmo?....A corrupção é sem dúvida uma ferramenta dos mais fortes/poderosos. Estou disponível para alinhar aí umas ideias sobre isto. E você?.. Diga alguma coisa para jbritosousa@sapo.pt, Ok.
JS

Afixado por: JOÃO SOUSA em agosto 28, 2006 09:04 AM

Como o reverso da mesma medalha? Por esse ponto de vista sim posso concordar consigo. Os opostos frequentemente se encontram. Mas o ódio é um sentimento negativo e extremo que destrói qualquer resquício de amor. Torna-nos amargos e é destruidor, destrói tudo o que o amor consegue construir. Mas continuo a acredito que se possa conceber o amor sem ódio. Claro que teria que se controlar no ser humano o desejo de posse (Schopenhauer, 28/08/2006).
Na obra de onde foi retirado o excerto, "Emilio", que eu infelizmente ainda não li, Rousseau defende a ideia de que o Homem é bom e puro quando nasce, a sociedade é que mais tarde o corrompe e o torna num individuo mau. Assim sendo, o Homem nasce predestinado para a amizade e para o amor na sua relação com os outros seres, por isso, o ódio, tal como as outras paixões e vicíos, surge na sequência dessa transformação. É discutivel esta posição. Claro que este seria outro tema de discussão.
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 28, 2006 08:48 PM

Como o reverso da mesma medalha? Por esse ponto de vista sim posso concordar consigo. Os opostos frequentemente se encontram. Mas o ódio é um sentimento negativo e extremo que destrói qualquer resquício de amor. Torna-nos amargos e é destruidor, destrói tudo o que o amor consegue construir. Mas continuo a acredito que se possa conceber o amor sem ódio. Claro que teria que se controlar no ser humano o desejo de posse (Schopenhauer, 28/08/2006).
Na obra de onde foi retirado o excerto, "Emilio", que eu infelizmente ainda não li, Rousseau defende a ideia de que o Homem é bom e puro quando nasce, a sociedade é que mais tarde o corrompe e o torna num individuo mau. Assim sendo, o Homem nasce predestinado para a amizade e para o amor na sua relação com os outros seres, por isso, o ódio, tal como as outras paixões e vicíos, surge na sequência dessa transformação. É discutivel esta posição. Claro que este seria outro tema de discussão.
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 28, 2006 08:59 PM

Peço desculpa pelas repetições mas acho que tive um problema técnico no envio dos comentários. O primeiro, que escrevi ontem, bloqueou e desapareceu e o segundo apresentou erro e repeti o envio. Acontece...
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 28, 2006 10:01 PM

Peço desculpa pelas repetições mas acho que tive um problema técnico no envio dos comentários. O primeiro, que escrevi ontem, bloqueou e desapareceu e o segundo apresentou erro e repeti o envio. Acontece...
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 28, 2006 10:07 PM

Peço desculpe mas parece que tive um problema técnico. Acontece...
Margarida

Afixado por: Margarida em agosto 28, 2006 10:17 PM

PORTO, 2006.08.29
Aló MARGARIDA.
Boas.
Diz você: - “Mas o ódio é um sentimento negativo e extremo que destrói qualquer resquício de amor. Torna-nos amargos e é destruidor, destrói tudo o que o amor consegue construir. Mas continuo a acredito que se possa conceber o amor sem ódio.”
Estou de acordo. Apesar de manter o que disse (amor e ódio completam-se...) estou do seu lado e disponível para banir o ódio da nossa conversa. Faz-me mal. O mundo já está tão odiento que temos que limitar o uso dessa palavra.
Quanto ao que me fala de Rousseau é tal e qual como diz.
Quanto ao Emílio que não leu ainda é um ensaio pedagógico sob a forma de romance e nele Rousseau procura traçar as linhas gerais que deveriam ser seguidas com o objectivo de fazer da criança um adulto bom. Mais exactamente, trata dos princípios para evitar que a criança se torne má, já que o pressuposto básico do autor é a crença na bondade natural do homem. Outro pressuposto de seu pensamento consiste em atribuir à civilização a responsabilidade pela origem do mal. Consequentemente, os objectivos da educação, para Rousseau, comportam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da criança e seu afastamento dos males sociais.
A educação deve ser progressiva, de tal forma que cada estágio do processo pedagógico seja adaptado às necessidades individuais do desenvolvimento. A primeira etapa deve ser inteiramente dedicada ao aperfeiçoamento dos órgãos dos sentidos, pois as necessidades iniciais da criança são principalmente físicas. Incapaz de abstracções, o educando deve ser orientado no sentido do conhecimento do mundo através do contacto com as próprias coisas: os livros só podem fazer mal, com excepção do Robinson Crusoe, que relata as experiências de um homem livre, em contacto com a natureza.

E diz ainda-“ o ódio, tal como as outras paixões e vícios, surge na sequência dessa transformação.”

Mas qual transformação? Não percebi.

Diga qualquer coisa.

JS

Afixado por: João Sousa em agosto 29, 2006 05:27 PM

Deduzo que a coragem faz parte da natureza do ser humano, não pode ser usada como profissão sob pena de ter o seu valor desvirtuado, seu uso fica restrito ao juizo e necessidades de cada um.

Afixado por: nilson em agosto 31, 2006 11:02 PM

Ops!Saiu no lugar errado.Apaguem.

Afixado por: nilson em agosto 31, 2006 11:10 PM

Ops!Saiu no lugar errado.Apaguem.

Afixado por: nilson em agosto 31, 2006 11:12 PM

Estive lendo o cometário de Margarida e João, permitam-me entrar na conversa.
Penso que nenhum sentimento é capaz de apagar ou sufocar o AMOR, no máximo, pode escondê-lo, mas, matá-lo, sufocá-lo, apagá-lo, nunca! Jamais, ele insiste em viver e não morre em becos escuros. De algum jeito ele VIVE. Pena que não percebemos que o vilão do ódio sempre quer aparecer, escondendo alguém ou puxando o tapete de alguém para convencer e esconder.
Concordo com o Russeau em alguns aspéctos, "aquele que experimenta adoçura de ser amado, quer ser amado por todos..." Isso é bem verdade, quando nos deixamos envolver por essa doçura, queremos que todos sintam também, amor é partilha, desejamos amar e ser amados por todos.
do contrário é só egoismo e fere a verdadeira face do amor. O amor quer amar a todos e não se importa se é amado ou não.
O amor é o maior inimigo do ódio, e ele sim e somente ele é capaz de matá-lo.
Portanto queridos amemo-nos uns aos outros, foi isso que ELE nos mandou fazer.

Afixado por: TJF em fevereiro 26, 2010 02:29 PM
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