É difícil, senão impossível, determinar os limites dos nossos desejos razoáveis em relação à posse. Pois o contentamento de cada pessoa, a esse respeito, não repousa numa quantidade absoluta, mas meramente relativa, a saber, na relação entre as suas pretensões e a sua posse. Por isso, esta última, considerada nela mesma, é tão vazia de sentido quanto o numerador de uma fração sem denominador. Um homem que nunca alimentou a aspiração a certos bens, não sente de modo algum a sua falta e está completamente satisfeito sem eles; enquanto um outro, que possui cem vezes mais do que o primeiro, sente-se infeliz, porque lhe falta uma só coisa à qual aspira.
A esse respeito, cada um tem um horizonte próprio daquilo que pode alcançar, e as suas pretensões vão até onde vai esse horizonte. Quando algum objecto se apresenta a ele nos limites desse horizonte, de modo que possa ter confiança em alcançá-lo, sente-se feliz; pelo contrário, sente-se infeliz quando dificuldades advindas o privam de semelhante perspectiva. Aquilo que reside além desse horizonte não faz efeito sobre ele. Eis por que as grandes posses do rico não inquietam o pobre, e, por outro lado, o muito que já possui, se as intenções são malogradas, não consola o rico. A riqueza é como a água do mar: quanto mais a bebemos, mais sede sentimos. O mesmo vale para a glória. O que explica a pouca diferença entre a nossa disposição habitual e a anterior, após a perda da riqueza ou do conforto e tão logo a primeira dor é superada, é o facto de nós mesmos reduzirmos em igual extensão o factor das nossas pretensões, depois de a sorte ter diminuído o fator da nossa posse. Num caso de desgraça, essa operação é propriamente o que há de doloroso. Uma vez consumada essa operação, a dor torna-se cada vez menor e, por fim, deixa de ser sentida; a ferida cicatriza-se. Pelo contrário, num caso de felicidade, o compressor das nossas pretensões recua, e estas dilatam-se. Nisso reside a alegria, que dura apenas até o momento em que essa operação for totalmente consumada. Nós acostumamo-nos à escala ampliada das pretensões e tornamo-nos indiferentes à posse correspondente a elas.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em agosto 28, 2006 09:00 AMPORTO, 2006.08.28
Viva
Do texto de Schopenhauer, retiro a seguinte frase: - “Um homem que nunca alimentou a aspiração a certos bens, não sente de modo algum a sua falta e está completamente satisfeito sem eles; enquanto um outro, que possui cem vezes mais do que o primeiro, sente-se infeliz, porque lhe falta uma só coisa à qual aspira.” Ora em minha opinião isto já não é bem assim. Não é normal um homem não aspirar a possuir certos bens. O normal é aspirarmos a todos os bens. Não aspirar a eles é para a malta dos conventos e há poucos. A sociedade de hoje é consumista e quando não se tem dinheiro temos os cartões de crédito, Visas e quejandos e as facilidades de pagamento. Portanto a nossa educação sofre influência da informação que nos entra em casa a todo o instante e queremos é bens. A leitura para quem não pode ter é esta:- S os outros têm porque é que eu não posso ter. Eu quero ter.... Hoje a satisfação da pessoas passa pela posse plena dos bens e não da hipótese.... Hoje aquele que possui cem vezes mais tem mais cartões de crédito, portanto, é mais difícil ser infeliz. Se se quer medir a infelicidade, desculpe lá ó Schopenhauer mas não é por aqui.
JS
Nice site!
[url=http://ysneaxny.com/lnix/djks.html]My homepage[/url] | [url=http://atlbibqj.com/hnsl/fsee.html]Cool site[/url]
Nice site!
[url=http://ysneaxny.com/lnix/djks.html]My homepage[/url] | [url=http://atlbibqj.com/hnsl/fsee.html]Cool site[/url]
Thank you!
My homepage | Please visit
Nice site!
http://ysneaxny.com/lnix/djks.html | http://zzkzoksb.com/jygr/xddx.html
"Tu podes ter os cartões de créditos que quiser e todo o dinheiro do mundo,mas uma coisa que não terás nunca,mediante a isto, é a si próprio",disse Schopenhauer no cair da noite,tendo os olhos voltados para o nada.
Afixado por: Ehcsztein em agosto 30, 2006 01:32 AMA posse em si nunca é efetivada por completo,por isso talvez devamos esquecer controlando.
Afixado por: Ehcsztein em agosto 30, 2006 01:35 AMA posse em si nunca é efetivada por completo,por isso talvez devamos esquecer controlando.
Afixado por: Ehcsztein em agosto 30, 2006 01:45 AMPorto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamente mostrava-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo. Mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar, e que se nos deparavam. Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivessemos em nossas mãos e o nosso coração extravazando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamente mostrava-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo. Mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar, e que se nos deparavam. Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivessemos em nossas mãos e o nosso coração extravazando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamento mostra-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo, mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar e que se nos deparavam.
Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivesse em nossas mãos e o nosso coração extravasando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e de 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamento mostra-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo, mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar e que se nos deparavam.
Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivesse em nossas mãos e o nosso coração extravasando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e de 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamento mostra-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo, mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar e que se nos deparavam.
Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivesse em nossas mãos e o nosso coração extravasando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e de 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 30/08/2006
"Ser descontente é ser homem" afirmava Fernando Pessoa. Este descontentamento mostra-nos a sua decepção face à atitude de todo um povo, o povo português, perante o comodismo a que nos arreigamos há séculos, desde que possuímos o Mundo, mas esse horizonte perdeu-se no nevoeiro que foi a nossa História depois desse feito grandioso que foram os Descobrimentos. Atingido o horizonte não se procurou alcançar todos os outros horizontes que havia para conquistar e que se nos deparavam.
Schopenhauer apresenta um outro aspecto da insatisfação embora tenha alguma relação com o que acabei de constatar. O horizonte da riqueza, da posse de "coisas" que orientam a nossa vida mais do seria desejado. No entanto, actualmente esse desejo já não é apanágio dos ricos, os pobres também sentem essa necessidade de obter, embora talvez não tão premente. O pobre que almeja um telemóvel de última geração e o adquire fica satisfeito até chegar o da próxima, e os telemóveis têm gerações muito curtas. Tudo é relativo. O rico nem precisa sonhar com o carro último modelo está sempre actualizado e compra-o. O que se verifica é que associado ao desejo de posse surge a eterna insatisfação que provoca cada vez mais a infelicidade das crianças e jovens a quem se dá tudo, antecipando todos os seus desejos.
Logo, todas as nossas alegrias, são provisórias, descartáveis quase, e não guardamos como cara a lembrança da boneca com que sonhamos, do comboio de corda que nos foi prometido e que depois namoramos como se o mundo estivesse em nossas mãos e o nosso coração extravasando de felicidade. Matámos o sonho e não demos conta como o fizemos.
"Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem" Tal como Fernando Pessoa, Arthur Schopenhauer continua actual apesar de 100 anos de distância um do outro e de 100/200 anos da nossa época.
Margarida
Porto, 31/08/2006
Desculpem as repetições mas o blog teve problemas e repetiu todas as minhas tentativas de envio...
Margarida
Ele está a falar em termos bastante mais genéricos. Diz em última análise que o ser humano é capaz de se adaptar e acostumar às posses que tem, e a felicidade/infelicidade provêm das pretensoes que temos em relação às posses e a alegria/dor das suas oscilações positivas e negativas respectivamente, se é que me estou a fazer entender.
Achei o texto simplesmente brutal.
Afixado por: sheesh kabob em setembro 2, 2006 12:07 AMEle está a falar em termos bastante mais genéricos. Diz em última análise que o ser humano é capaz de se adaptar e acostumar às posses que tem, e a felicidade/infelicidade provêm das pretensoes que temos em relação às posses e a alegria/dor das suas oscilações positivas e negativas respectivamente.
Achei o texto simplesmente brutal.
Afixado por: sheesh kabob em setembro 2, 2006 12:09 AMsheesh, a sua interpretação acertou em cehio no alvo, é isso, mesmo, 20 valores.
Muitas vezes parece-me que as pessoas olham com altivez para estes textos mais antigos e julgam que a "modernidade" tornam estes conceitos ultrapassados. Não tornam. É tudo igual, desde tempos imemoriais, só o cenário é que muda. O telemóvel de hoje é o burro do antigamente.
Afixado por: pns em setembro 2, 2006 11:49 PMLegal. Obrigado :)
Não ficam ultrapassados pois o que se está a discutir são características instrínsecas e inerentes ao homem que perduram no tempo, o que aliás é de se esperar não fossemos nós homens. Talvez a única coisa que mude seja a intensidade com que se sentem e se exprimem, consoante o contexto e o tempo em que se está ("cenário que muda").
Afixado por: sheesh kabob em janeiro 27, 2007 05:56 PMA citação quer dizer que por mais que as pessoas tenham aquilo que querem e sempre conquistem aquilo que almeijam, nunca alcançaram um estado de satisfação plena, faltando-lhe então algo de significante importância em sua vida, estar satisfeito!
Afixado por: Felipe B em agosto 6, 2007 01:11 PM