Por muito que se inove no campo político, não há como escapar a um certo fatalismo no que se refere à condição de classe e consequente exploração (*). A sociedade permite uma certa mobilidade, sim, mas há limites nessa desmarcação. Sim, foi relativamente fácil a Calígula promover o seu cavalo Incitatus a senador. O que a História não regista é se o cavalo passou a relinchar partidariamente, ou se, pelo contrário, os seus novos pares começaram a trotar no seu compasso.
(*) Exploração, meus caros, começa sempre do lado de dentro dos seus botões. E não há como escapar: sempre se é comunista de alguém, judeu de alguém, capitalista de alguém, negro de alguém, presidente dos Estados Unidos em cima de alguém. E eu mesmo — confesso — escrevi este livro explorando o humorista que há em mim próprio.
José Alberto Braga, in 'O Guia da Sobrevivência Política'
Publicado por pns em novembro 11, 2006 07:00 PMNão entendi nada do que este gajo disse. Ele tem mesmo alguma coisa para dizer?
Porque é que o citaram aqui?...
(e outras perguntas censuradas pela educação e bons costumes)
Não entendi nada do que este gajo disse. Ele tem mesmo alguma coisa para dizer?
Porque é que o citaram aqui?...
(e outras perguntas censuradas pela educação e bons costumes)
Calma Wise Max. Onde está sua verve? O que o homem quis dizer talvez de uma forma um tanto hermética, é que estamos todos condenados a sermos explorados...
Afixado por: Manuel Barbosa em novembro 13, 2006 11:36 AM" A exploração começa naquela que os outros fazem em você,para então você fazer em você mesmo ou nos outros. ASsim sendo a escolha é uma exploração. Serão os costumes também?"
Afixado por: Ehcsztein em novembro 15, 2006 12:21 PMWiseMax,
vc. não entendeu nada e, pq não entendeu nada de coisa nenhuma, acha que o autor não devia ser citado aqui. Ou seja, a sua ignorância justifica a censura ao autor?
Você sabe quem é Calígula, Incitatus, as sinuosidades do humor, o facto da exploração do homem pelo homem ser uma coisa atávica, permanente, coisa quase inexorável? Você só sabe exorbitar a sua ignorância e, por isso mesmo, deplorar que o autor escreva. Sugiro o seu mea culpa aqui, ou então, como alternativa, se suicidar (prefiro que faça a coisa primeira em vez da segunda)
Mauro Borges
Este JAAB é um escritor muito profundo. Não está ao alcance de qualquer um.
Mesmo que cessassem todos os mecanismos de exploração ditados pelos sitemas políticos e económicos, sobreviriam sempre os capachos que ncessitavam que lhe traçassem o risco na estrada para eles percorrem - temos de aceitar que há pessoas que não nasceram para a liberdade.
Ninguém quer ser subserviente de ninguém, pelo menos conscientemente. Se perguntássemos ao cavalo Incitatus se ele próprio preferia ser senador ou imperador podemos tentar adivinhar a resposta... Relatar a realidade não faz de nós cúmplices dessa mesma condição, antes pelo contrário. Afinal de contas admitir não é o primeiro passa para a cura?
"...não há como escapar a um certo fatalismo no que se refere à ...exploração" - e isso não é verdade? Sim, infelizmente é. Faz parte da grande teia das relações humanas e não podemos modificá-la, estamos totalmente enredados.
José Alberto Braga, usando a palavra como estilete, fustiga a nossa realidade com essa afirmação - e fere! Daí, desagradar a quem entende e mais ainda a quem não entende! Só que é essa é a função maior do filósofo-humorista: in-co-mo-dar!
Á nossa tão persistente tragicomédia eu sou grato...
Afixado por: Ehcsztein em dezembro 23, 2006 05:01 AMJosé alberto braga é o maior e melhor escritor de humor que portugal já produziu. Tem talento e faz do pensamento que só quem pensa pode decifra-lo Foi é e será o melhor.
Afixado por: teodoro em janeiro 19, 2007 11:47 AMAcho que tenho que pedir desculpa - e faço-o com muito gosto.
Desculpa-me, José Braga, por ter confundido as tuas provavelmente generosas intenções com mero populismo da treta. Após quase 60 anos de bombardeamento mental, estou tão vacinado, que já reajo à distância...
Em qualquer dos casos (independentemente do valor daquilo que escreves) acho que fui incorrecto e, por isso, devo-te públicas desculpas. E também te agradeço a atitude de me teres chamado pessoalmente a atenção.
Afixado por: Wisemax em fevereiro 19, 2007 09:18 PM