Os poetas, na medida em que também querem tornar mais leve a vida das pessoas, ou desviam o olhar do trabalhoso presente ou ajudam o presente a adquirir novas cores, graças a uma luz vinda do passado que fazem irradiar sobre ele. Para poderem fazê-lo, têm eles próprios de ser, em muitos aspectos, seres voltados para trás: de maneira que se os pode utilizar como pontes para chegar a tempos e concepções muito distantes, a religiões e civilizações em vias de extinção ou já extintas. (...) É certo que há algumas coisas desfavoráveis a dizer quanto aos meios de que eles se servem para aligeirar a vida: apenas sossegam e curam provisoriamente, só de momento; até impedem as pessoas de trabalhar na realidade por uma melhoria da sua situação, precisamente enquanto suprimem e descarregam, por meio de paliativos, a paixão dos insatisfeitos, que incitam à acção.
Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'
Publicado por pns em novembro 23, 2006 09:00 AMÉ muita dúbia esta apreciação de Nitsche de que os poetas aligeiram a vida. Muito polémica também. Um poeta deve olhar para a frente. Para trás encontra destroços...
Afixado por: Manuel Barbosa em novembro 23, 2006 05:08 PMA loucura genial de Nitsche. Ao olhar para trás os poetas o que encontram é destroços...
Afixado por: Manuel Barbosa em novembro 23, 2006 05:28 PMManuel, antes de qualquer coisa aprenda a escrever o nome de Friedrich Nietzsche corretamente.
Em segundo lugar, o poeta tem de olhar para trás para através de sua memória/passado poder (re)construir um algo mais simples e leve.
Em terceiro, aprenda a não ser mais dúbio,por favor.
Afixado por: Ehcsztein em novembro 24, 2006 02:40 AMNietzsche não tinha uma visão dos poetas que (mesmo no tempo dele) pudesse corrresponder minimamente à realidade. Para ele, arauto da força e da luta, do triunfo do mais forte, os poetas eram uns maricas que andariam ali para entreter o pessoal, nada tendo ver com o futuro e com o progresso da humanidade como ele os via.
Para Nietzsche os poetas eram um factor de fuga à realidade, e a atenção que se pudesse conceder-lhes (como transparece deste mesmo texto) uma perda de tempo, uma fuga provisória, um paliativo. Para ele, eram tudo Ovídios, líricos, cultores do neo-classicismo e assim. O que prova quão pouca atenção lhes dispensou... e quanto ignorou os movimentos literários que o precederam poucos anos e que dele foram coevos.
Mas também, quem pode apontar-lhe o dedo?... Foi uma opção ideológica que fez. Por vezes ignoraram-se ou minimizaram-se aspectos da vida humana, porque não se "encaixavam" bem no modelo escolhido de representação da sociedade...
Afixado por: wisemax em novembro 24, 2006 06:20 PMWisemax,
Eu creio que Nietzsche via a poesia como um caminho de mão dupla;ou seja, haviam aqueles "maricas" que viviam metrificando versas e prosas em prol de interesses e haviam aqueles embriagados,aqueles que escreviam "com o sangue" e falavam como "Dionísio". Nietzsche sempre quis ser este artista, era o seu ideal,seu Übermensch desejado.
Afixado por: Phil em novembro 25, 2006 03:05 AMO Sr. Manuel Barbosa (não sei se ... Maria... du Bocage - El Mano Transtagano)ou é poeta sem saber ou simplesmente néscio nos subtis assuntos da rima (perdoar-me-á se incluo alguma ofensa). Pois permita-me V. Exa. frisar o seguinte: o poeta é aquele que, querendo, diz a verdade a mentir, sendo que... só mente quando a verdade não agrada aos visados (quando os há!).
Ora se assim é, reflita V. Exa. sobre o seguinte:
- que seria do nosso futuro se não houvesse poetas a lembrar-nos, que em tempos todos nós fizemos parte de um passado. O que nos faz pensar que o presente é apenas um momento efémero do qual, por vezes, não nos damos conta... pois o agora já é passado.