Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: - Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?
Raul Brandão, in "Húmus"
Publicado por pns em janeiro 8, 2007 11:00 PM | TrackBackDesconhecia esse autor. Mas a pequena amostragem de seu pensamento causou-me excelente impressão. Vou tentar ler alguma coisa dele. Tendemos, erroneamente, a só prestigiar autores largamente conhecidos, que muito escreveram e publicaram. A fama destes, no entanto, muitas vezes é fruto apenas da enorme persistência no uso de relativo relativo. Embora não se possa esquecer que a persistência desenvolve o talento natural. A velha frase de Thomas Edison, de que o talento é "dez por cento ( é isso mesmo?)inspiração e noventa por cento transpiração". E modernamente, além da persistência, o grande forjador de "talentos" está na propaganda, no apoio da mídia. Apoio voluntário ou meio comprado. As pessoas, ocupadas demais com seus afazeres, não confiam no próprio julgamento e só apoiam o que é "chique" apoiar, mesmo que no fundo ache aquilo tudo uma besteira. Mas voltando aos pensamentos de Raul Brandão,o que ele diz tem profundo significado. Se não houvesse as palavras "infinito", "Deus", "socialismo", "conjetura", "sofisticação", "proporção", imagine-se como seria difícil a comunicação entre os homens. Por mais que gesticulássemos tendo explicar, por exemplo, o "infinito", dificilmente o interlocutor entenderia o que pretendíamos dizer porque qualquer gesto nosso seria, por natureza, finito. Essas palavras abstratas, condicionantes da civilização, já causaram,no entanto, grandes desgraças à humanidade. Gerou ideologias, quase sempre radicais, exclusivistas sobre o que é certo ou errado.. Durante mitas décadas, capitalismo e socialismo se degladiaram, com morte de milhões nas gueras "frias" e "quentes". Não existissem tais palavras, nem seus sinônimos, não teria havido tanto ódio no planeta. E quando Raul Brandão diz que por vezes sentimos vontade de dizer "eu não viví! eu não vivi", o que realmente ocorre é que o cérebro sente uma ânsia de expressar algo que o atormenta mas não pode transformar em palavras, ou porque as desconhece ou porque afrontam a própria consciência. Dando um exemplo algo grosseiro, se uma mulher jovem, casta, bela, honesta e pobre casa -- mais por necessidade de se saustentar, ela e a mãe -- com homem bem mais velho, rico mas pouco atraente interiormente -- velho mas com uma saúde de ferro, "imorrível" -- é bem possível que, sentindo a proximidade da velhice irremediável, ela, frente ao espelho, notando o início das rugas, diga "Eu não vivi! Eu não vivi!" Por pudor moral, se de boa formação, ela, fiel por princípio, não confessará a si mesmo que quer ficar viúva para então realmente "viver!" Dramas assemelhados ocorrem, só que, com a abertura dos tempos modernos, as pessoas têm mais coragem de dar nome aos bois.Sem qualquer alusão ao "imorrível", que pode também manter alguns pensamentos insuspeitáveis.
Afixado por: Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues em janeiro 9, 2007 11:47 AMNo meu comentário anterior, feito com certa pressa, sairam umas poucas incorreções. A maior dela ocorreu com o "...no uso do relativo relativo". Quis dizer, "...no uso do relativo talento". Bem diz o provérb que a pressa é inimiga da perfeição. Desculpem a falha e um abraço a quem teve a paciência de ler o que escrevi.
Afixado por: Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues em janeiro 9, 2007 11:56 AMEntão ainda há alguém que não conhece Raul Brandão? Um dos nossos maiores escritores. Acho que abusava um bocado das "hipérboles".-
Afixado por: Manuel Barbosa em janeiro 9, 2007 03:03 PMA palavra é minha pertence ou pertenço a tal. Com tal preposição deparamos a limitação da plavra frente a verdade ou que percebemos. Será que conseguimos estrair uma porcentagem das coisa-em-si com a palavra ou são rmetido, portanto, ao fundamentalismo do relativismo? Eu contenho um pensamento metafísico: "A imutabilidade esta dentro da mutalidade". E segui trilhando meus estudo em tla premissa. Quais as palavras que englobam uma dinâmica deslimitada? A metáfora, eis as razão de Jesus se pronunciar por tais. Pois agrega mais paectos de verdade. Mas a plavbra continuará a ser um empacotador com marcas de rótulo. Para os verdadeiros filósofos, cuidado!
Afixado por: Clailton em janeiro 10, 2007 02:52 AMClailton, este são os "filósofos enlatados"
Manuel, deixe de ser parvo mais uma vez. Ninguém é obrigado a saber sobre Raul Brandão. Francisco César soube se expressar bem.
E tu que fala das 'hipérboles' e se utiliza de tantas.
Ecksenteinvocêé mesmo faccioso? Então o homem nem sequer conhecia Raul Brandão e pôs-se com um relambório daqueles... Eu vou é fazer de conta que você não existe...
Afixado por: Manuel Barbosa em janeiro 10, 2007 10:23 AMAs palavras servem para fazer a comunicação de dois mundos, de duas pessoas...contudo, há outras formas de expressão também que falam muitas vezes mais que as palavras:vide as obras artísticas ou mesmo uma música ao qual não conseguimos descrever tamanha alegria..há outros sentidos que falam mais alto que as palavras.
Afixado por: Phil em janeiro 10, 2007 10:43 PMIsto é orivelmente orivel !!!!!!!!!
Quem fez isto é ou foi um burro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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