Todos os pensamentos que renunciam à unidade exaltam a diversidade. E a diversidade é o local da arte. O único pensamento que liberta o espírito é aquele que o deixa só, certo dos seus limites e do seu fim próximo. Nenhuma doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada dele, a primeira fará ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma alma para todo o sempre liberta da esperança. Ou nada fará ouvir, se o criador, cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale.
Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"
Publicado por pns em fevereiro 6, 2007 09:00 AM | TrackBackEu diria que o local da diversidade é o campo experimental da liberdade. A arte vem, necessáriamente depois.
E nem sempre os pensamentos que renunciam à unidade são pela diversidade. Quantas vezes se mascaram da pele dos seus fantasmas. Não têem a liberdade necessária para aceitar a diferença sem temor de se perderem.
Camus falou, algures, da necessidade de perder a esperança. Ideia curiosa, dado que a esperança é ainda reduto dos que se iludem as solução dos seus problemas oferecerem-se do exterior.
Afixado por: Victor Mesquita em fevereiro 6, 2007 02:00 PM