A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos no qual o último poderia mesmo mudar o sentido de todo o conjunto, não porque conte mais do que os precedentes mas porque, uma vez incluídos na vida, os acontecimentos dispõem-se segundo uma ordem que não é cronológica mas que corresponde a uma arquitectura interna. Uma pessoa, por exemplo, lê na idade madura um livro importante para ela, que a faz dizer: "Como poderia viver sem o ter lido!" e ainda: "Que pena não o ter lido quando era jovem!". Pois bem, estas afirmações não fazem muito sentido, sobretudo a segunda, porque a partir do momento em que ela leu aquele livro, a sua vida torna-se a vida de uma pessoa que leu aquele livro, e pouco importa que o tenha lido cedo ou tarde, porque até a vida que precede a leitura assume agora uma forma marcada por aquela leitura.
Italo Calvino, in "Palomar"
Publicado por pns em fevereiro 7, 2007 11:00 PM | TrackBackViver é surpreender-se,para não dizer perturbar-se.
Afixado por: Ehcsztein em fevereiro 12, 2007 09:49 PMEhcsztein,
Quando se diz que "viver perturba-se",deve-se dizer também que esta perturbação vem mais dentro de si que da palavra "Viver",ou seja, do "outro".
Além do mais, como dizia Gonçalves Dias, na Canção do Tamoio:
"Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar."
Primeiro contra si,depois contra os "outros".
Afixado por: Phil em fevereiro 15, 2007 02:04 AMEhcsztein,
Quando se diz que "viver perturba-se",deve-se dizer também que esta perturbação vem mais dentro de si que da palavra "Viver",ou seja, do "outro".
Além do mais, como dizia Gonçalves Dias, na Canção do Tamoio:
"Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar."
Primeiro contra si,depois contra os "outros".
Afixado por: Phil em fevereiro 15, 2007 02:12 AMPhil, dissestes pouco com esta Canção do Tamoio. Tens certeza que fui eu quem disse que a Vida são os "outros" e não "nós e os outros?" Preste atenção mais um pouco....
Eis aqui uma de Ézio Deda que diz mais que a Canção do Tamoio:
"Sinto a vida calefar pelos poros. Não posso conter o apelo de minha anatomia.
Sou o veículo frágil das hipóteses desconexas, das crenças céticas, dos hermetismos confessos.
Sou corpo que não cabe em recipientes.
Sou o títere das articulações engessadas.
Sou eu mesmo o meu próprio simulacro."
Afixado por: Ehcsztein em fevereiro 15, 2007 01:55 PM