A revolução do século XX separou arbitrariamente, para fins desmesurados de conquista, duas noções inseparáveis. A liberdade absoluta mete a justiça a ridículo. A justiça absoluta nega a liberdade. Para serem fecundas, as duas noções devem descobrir os seus limites uma dentro da outra. Nenhum homem considera livre a sua condição se ela não for ao mesmo tempo justa, nem justa se não for livre. Precisamente, não pode conceber-se a liberdade sem o poder de clarificar o justo e o injusto, de reivindicar todo o ser em nome de uma parcela de ser que se recusa a extinguir-se. Finalmente, tem de haver uma justiça, embora bem diferente, para se restaurar a liberdade, único valor imperecível da história. Os homens só morrem bem quando o fizeram pela liberdade: pois, nessa altura, não acreditavam que morressem por completo.
Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"
Publicado por pns em fevereiro 17, 2007 02:00 PM | TrackBackPela última frase,parece que Camus leu ou foi influenciado pelo pensamento de Martin Heidegger de algum modo...
Afixado por: Ehcsztein em fevereiro 20, 2007 02:49 PMSão duas noções inseparáveis. A liberdade é a expressão de uma atitude, derivada da autonomia que se dispõe ou se adquiriu, face à integridade e idoneidade dos comportamentos desenvolvidos. A sua prática deverá conduzir à justiça e à solidariedade. Só sendo livres podemos ser justos. A liberdade exige espaço para se desenvolver e não deve ser uma atitude que pactue com o medo ou com a tirania. Ser livre exige muito auto controlo e conhecimento da liberdade dos outros, pois não deve interferir aqui. É importante, que um e outro conceito, conheçam os seus limites. É necessário ser livre para se poder atribuir a classificação de justo ou injusto aos outros.
Mas a justiça absoluta nega a liberdade porque exige desta contenção do raciocínio e só seremos verdadeiramente livres se menosprezarmos as decisões que de não dependem, o que tornarmo-nos injustos. A justiça é o freio da humanidade. O importante é que cada conceito conheça as fronteiras da sua actuação. O que exige bom senso. A justiça é o freio da humanidade Ser livre é proceder à recusa dos constrangimentos. A liberdade não consiste em fazer o que se quer, mas o que se deve. Ao exigirmos que respeitem a nossa liberdade somos incapazes de não respeitarmos a liberdade dos outros. O que é justo É liberdade fazer tudo o que não prejudica os outros.. Mas é importante que sejam duas palavras fortes e que façam prevalecer os seus direitos. A liberdade usa-se e nada a pode demonstrar; apenas a razão a pode sustentar. É - se livre quando se é quem se quer ser; mas sermos quem somos é termos de ser esse que queremos ser, já que não podemos ser quem não somos.
João B. Sousa
Afixado por: João B. Sousa em fevereiro 20, 2007 07:09 PM