A imoralidade da mentira não consiste na violação da sacrossanta verdade. Ao fim e ao cabo, tem direito a invocá-la uma sociedade que induz os seus membros compulsivos a falar com franqueza para, logo a seguir, tanto mais seguramente os poder surpreender. À universal verdade não convém permanecer na verdade particular, que imediatamente transforma na sua contrária. Apesar de tudo, à mentira é inerente algo repugnante cuja consciência submete alguém ao açoite do antigo látego, mas que ao mesmo tempo diz algo acerca do carcereiro. O erro reside na excessiva sinceridade. Quem mente envergonha-se, porque em cada mentira deve experimentar o indigno da organização do mundo, que o obriga a mentir, se ele quiser viver, e ainda lhe canta: "Age sempre com lealdade e rectidão".
Tal vergonha rouba a força às mentiras dos mais subtilmente organizados. Elas confundem; por isso, a mentira só no outro se torna imoralidade como tal. Toma este por estúpido e serve de expressão à irresponsabilidade. Entre os insidiosos práticos de hoje, a mentira já há muito perdeu a sua honrosa função de enganar acerca do real. Ninguém acredita em ninguém, todos sabem a resposta. Mente-se só para dar a entender ao outro que a alguém nada nele importa, que dele não se necessita, que lhe é indiferente o que ele pensa acerca de alguém. A mentira, que foi outrora um meio liberal de comunicação, transformou-se hoje numa das técnicas da insolência, graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza, e sob cuja protecção pode prosperar.
Theodore Adorno, in "Minima Moralia"
Publicado por pns em fevereiro 26, 2007 10:00 PM | TrackBackMinima Moralia - um dos textos mais importantes deste século. A mentira um meio liberal de comunicação é hoje uma das técnnicas da insolência...
Afixado por: Manuel Barbosa em fevereiro 27, 2007 10:32 AMEu creio que o que Adorno problematiza é justamente o individualismo do homem moderno.
È arma que temos contra a razão, o seu sonho em ser completo realizado,o ideal da realização no veneno social.
Platão e seu estado perfeito, alegava a necessidade da moral como "a fuga diante das sombras". E agora,graças à Ciência, pensamos que sombras são coisas do passado.
Esta gostei Eckzenstein. Está a ver como você sabe quando não agride nuinguém? Muita gente já deixou de postar por sua causa mas eu sou uma pessoa livre- posto quando me apetece mesmo quando o raciocínio não está bem e etc. Você não me conhece mas eu já tenho muita experiência nestas coisas da cultura. Você está a fazer uma ideia muito errada de mim- e tem vezes que isso me dá vontade de rir... Uma pessoa de cultura não procede como você está a proceder... Frustação?
Afixado por: Manuel Barbosa em março 3, 2007 11:28 AMEu não digo FrustRação (com r). Eu reconheço agora que há certas pessoas que realmente não aprendem e talvez nunca aprenderão(e quantas milhões de vezes tenho de repetir que meu nome é Ehcsztein e não "Eckzenstein"). É uma lástima e vergonha.
Quando lanço essa agressão é porque para mim é completamente inconcebível que lá esteja alguém de forma tão exdrúxula a opinar sobre uma coisa que se quer sabe-se (ou escreve direito). Não é uma frustração,meu caro, é uma burrice tremenda mesmo e isso me impede ficar de boca calada.
Sou crítico sim e gosto de ser como tal. Reconheça o meu papel aqueles mais inteligentes.
Afixado por: Ehcsztein em março 6, 2007 04:13 PMPor vezes os posts não saêm como a gente quer. Echzenstein é assim? Não seja compulsivo... Tente ser mais compreensivo e civilizado...
Afixado por: Manuel Barbosa em março 9, 2007 11:50 AMQue porra! Não atino mesmo com o seu nome! Tem que ter paciência Eczstein. Acho que agora foi certo!
Afixado por: Manuel Barbosa em março 9, 2007 11:54 AMEhcsztein ,
O seu discurso arrogante exige a concordância verbal no último comentário postado.
E é esdrúxula , seu animal !
Afixado por: Ortor em maio 2, 2007 10:41 PM