É impossível percorrer uma qualquer gazeta, seja de que dia for, ou de que mês, ou de que ano, sem aí encontrar, em cada linha, os sinais da perversidade humana mais espantosa, ao mesmo tempo que as presunções mais surpreendentes de probidade, de bondade, de caridade, a as afirmações mais descaradas, relativas ao progresso e à civilização.
Qualquer jornal, da primeira linha à última, não passa de um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, impudicícias, torturas, crimes dos príncipes, crimes das nações, crimes dos particulares, uma embriaguez de atrocidade universal.
E é com este repugnante aperitivo que o homem civilizado acompanha a sua refeição de todas as manhãs. Tudo, neste mundo, transpira o crime: o jornal, a muralha e o rosto do homem.
Não compreendo que uma mão pura possa tocar num jornal sem uma convulsão de asco.
Charles Baudelaire, in "Diário Íntimo"
Publicado por pns em abril 29, 2007 01:15 PM | TrackBackConcordo com Baudelaire. É com asco que muitas vezes toco num jornal- é repugnante. E as notícias... Baudelaire viveu num tempo em que a Imprensa não era célere. Mas temos que nos informar não é? Este tema dá muito que meditar... A imprensa tritura-nos... A dita sociedade de informação viaja hoje a velocidades impressionantes e estamos muito mais sujeitos ao choque da massificação.-
Afixado por: Manuel Barbosa em abril 29, 2007 02:31 PM