Como é difícil propor uma coisa ao juízo alheio, sem lhe corromper o juízo pela maneira de lha propor! Se se diz: acho-o belo, acho-o obscuro, ou outra coisa semelhante, arrasta-se a imaginação a este juízo, ou, pelo contrário, afastamo-la dele. Vale mais não dizer nada; e então ele julga conforme o que é, quer dizer, conforme o que é então e o que as outras circunstâncias de que não somos autores lhe tenham sugerido. Mas ao menos não teremos insinuado nada; a não ser que este silêncio também produza o seu efeito, conforme a volta e a interpretação que estiver de humor a dar-lhe, ou conforme o que conjecturar dos movimentos de expressão da cara ou do tom da voz, conforme for fisionomista: tão difícil é manter um juízo no seu ponto natural, ou antes, tão pouca firmeza e estabilidade há!
Blaise Pascal, in "Pensamentos"
Publicado por pns em julho 13, 2008 11:00 AMCalma aí, Pascal, não é por ouvirmos uma sugestão que vamos, intempestivamente, concordar com ela. Não somos todos como o amigo do Hamlet, que a cada impressão que a este causava uma nuvem, o amigo concordava inteiramente. É justamente para isso que temos um intelecto: Para ponderarmos todas as opiniões que pudermos coligir.
Afixado por: tesco em julho 14, 2008 03:09 PM