O saber é uma forma de comportamento, uma paixão. No fundo, um comportamento ilícito; porque, tal como a dependência do álcool, de sexo ou da violência, também a compulsão de saber molda um carácter em desequilíbrio. É um erro pensar que o investigador persegue a verdade; de facto, é ela que o persegue a ele. É ele que tem de suportá-la. A verdade é verdadeira, o facto é real, sem se preocuparem com ele: ele é que sofre da paixão, da dipsomania dos factos que define o seu carácter, e está-se nas tintas para saber se as suas descobertas levarão a alguma coisa de total, humano, perfeito ou o que quer que seja. É uma natureza contraditória, sofredora e, ao mesmo tempo, incrivelmente enérgica.
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'
Publicado por pns em janeiro 24, 2009 02:00 PMRealmente o saber, por vezes chega a um egoísmo tal, que pode ser confundido com altruísmo ganâncioso. Que concordo, não deixa de ser uma dependência psíquica.
Afixado por: Osvaldo em janeiro 30, 2009 10:02 AM