abril 30, 2009

Não Existe Felicidade Desregrada

Uma época em que tudo é permitido sempre tornou infelizes aqueles que nela viveram. Disciplina, abstinência, cortesia, música, moral, poesia, forma, proibição, tudo isso tem como sentido último conferir à vida uma forma bem delimitada e determinada. Não existe felicidade desregrada. Não existe grande felicidade sem grandes tabus. Até no mundo dos negócios não podemos correr atrás de qualquer vantagem, porque nos arriscamos a não chegar a lugar nenhum. O limite é o segredo dos fenómenos, o mistério da força, da felicidade, da fé e da nossa missão, que é a de nos afirmarmos como ínfimos seres humanos num universo.

Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'

Publicado por pns em abril 30, 2009 01:00 PM
Comentários

Incrível como esta passagem diz respeito ao momento em que vivemos. Com a revolução francesa,revolução industrial e guerras mundiais,o homem quis buscar o desregramento de todos os sentidos para combater a alienação. Todavia os dias atuais de inteira liberdade democrática,artística,cultural,etc,etc faz de nós seres silenciosos e vazios,como Vergílio Ferreira auferiu certa vez, sob "a ditadura do silêncio e do ouvido". Hannah Arendt reitera: "se tudo é possível,nada mais é possível". Assim sendo, o modo instantâneo inaugura "a morte do tempo e tudo o que vem nele",deixando-nos à mercê de um mundo inumano.
Tempos sombrios,difusos. Se Koselleck realmente estiver certo quanto a teoria de seu livro "Crítica e Crise", a luz ainda existirá no fim de alguma fechadura.

Afixado por: Phil Silva em maio 7, 2009 06:42 AM
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