O esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos—isto é, o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o Verbo—apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito—porque as suas ideias, forçosamente, devem ter a natureza, incaracterística e neutra, que lhes permita serem indiferentemente adaptadas às línguas mais opostas em carácter e génio. Devem, de facto, ser como aqueles «corpos de pobre» de que tão tristemente fala o povo—«que cabem bem na roupa de toda a gente».
Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'
Publicado por pns em outubro 28, 2009 09:55 PMGrande homem de Letras, embaixador português em Cuba e noutros sítios- um homem absolutamente cosmopolita como é que pode escrever assim? Conhecer línguas só ajuda a compreender outras culturas e outros povos, enfim, ajuda a comprender o mundo. Eça de Queirós é tido como um dos nossos maiores prosadores...
Afixado por: Manuel Pereira Barbosa em outubro 30, 2009 04:40 PMConhecendo várias culturas, acabas por não conhecer uma no seu todo, e com o tempo até mesmo a tua. Não é descriminação por parte do autor mas sim um facto. Facto, ou fardo, para quem sua lingua nativa não é por exemplo a inglesa e que, para bem da sua vida proficional é forçado a saber. O carácter da nação está na sua linguagem em todos os seus códigos e verbos. Não sei se a falta de carácter do português se deva a isso. Lanço a dúvida. Música, filmes, literatura, cinema...
Afixado por: Pedro em outubro 30, 2009 06:24 PMConhecendo várias culturas, acabas por não conhecer uma no seu todo, e com o tempo até mesmo a tua. Não é descriminação por parte do autor mas sim um facto. Facto, ou fardo, para quem sua lingua nativa não é por exemplo a inglesa e que, para bem da sua vida proficional é forçado a saber. O carácter da nação está na sua linguagem em todos os seus códigos e verbos. Não sei se a falta de carácter do português se deva a isso. Lanço a dúvida. Música, filmes, literatura, cinema...
Afixado por: Pedro em outubro 30, 2009 06:43 PM